sábado, maio 08, 2010

O reino lusitano como alfobre de génios

A história data de inícios de 2007. Apesar disso foi, é e será sempre um bom exemplo da moderna sociedade do reino lusitano. Podem mudar os protagonistas, mas o bacanal continua a ser o mesmo.

Na altura acabara de tomar posse a Direcção do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), criado em Janeiro de 2003, e que resultou da fusão entre o Instituto da Cooperação Portuguesa (ICP) e a Agência Portuguesa de Apoio ao Desenvolvimento (APAD).

O exemplo de um dos três vice-presidentes, no caso Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida, fez história e, apenas por isso, merece continuar a ser recordado.

Recorde-se antes que a política de Cooperação Portuguesa e de Ajuda Pública ao Desenvolvimento é coordenada, supervisionada e dirigida, desde Janeiro de 2003, pelo IPAD. No seu diploma constitutivo (decreto-lei nº 5/2003 de 13 de Janeiro de 2003), o IPAD é o instrumento central da política oficial de Cooperação para o Desenvolvimento, tendo como principais atribuições, melhorar a intervenção portuguesa e assegurar-lhe um maior relevo no âmbito da Cooperação, no cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo Estado Português.

Até aqui tudo bem. Vejamos então a genialidade curricular de Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida.

Nasceu em Setembro de 1969 e com 15 (quinze) anos de idade (ou seja em 1984) iniciou – de acordo com os dados então apresentados no site do IPAD – a “Licenciatura em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada de Lisboa», que terminou em 1987.

Para além de se enaltecer o facto de ter começado a Licenciatura com 15 (quinze) anos, importa dizer que a Universidade Lusíada informou que a Licenciatura em Relações Internacionais só começou a ser ministrada em 1986, ou seja dois anos depois da data referida pela vice-presidente do IPAD.

Acresce que a mesma era de cinco anos e não de quatro como diz o curriculum de Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida.

Ainda no campo da genialidade da vice-presidente do IPAD registe-se quem ainda em 1984, portanto com 15 (quinze) anos de idade, Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida iniciou dois outros cursos, o de língua inglesa pelo American Institut e o de língua francesa pela Alliance Francaise.

Registe-se, continuando no campo de uma paradigmática genialidade, que Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida concluiu quer a licenciatura quer os dois cursos de línguas no mesmo ano, 1987.

Sendo a cooperação para o desenvolvimento uma prioridade da política externa portuguesa, onde pontuam os valores da solidariedade e do respeito pelos direitos humanos, nada melhor do que ter nos quadros do IPAD um génio como Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida.

Sendo a coordenação da ajuda pública ao desenvolvimento realizada por um único organismo, o IPAD, que assegura também a supervisão e a direcção da política de cooperação, nada melhor do que ter nos quadros do IPAD um génio como Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida.

Sendo o IPAD um instrumento central da política de cooperação para o desenvolvimento, tendo por finalidade, num quadro de unidade da representação do Estado, melhorar a intervenção portuguesa e assegurar-lhe maior relevo na política de cooperação e cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo Estado Português, nada melhor do que ter nos quadros do IPAD um génio como Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida.

Tendo a acção do IPAD em vista a promoção do desenvolvimento económico, social e cultural dos países de língua oficial portuguesa, bem como a melhoria das condições de vida das suas populações, nada melhor do que ter nos quadros do IPAD um génio como Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida.

A importância da aparência

A sociedade portuguesa, certamente como algumas outras, é o que é e sempre que julgo que está a mudar... concluo (erro meu, é óbvio) que o faz para pior. Ou seja, vive de aparências, de rótulos, de embalagens, de coisas acessórias. O essencial fica adiado. Alguém há-de pagar a factura.

Um dia destes enviei um mail a um reputado sociólogo português. A resposta foi simples: “Lamento mas é impossível”. Nada mais incisivo ou, como por vezes se diz, curto e grosso.

Apesar de a resposta ser curta, o mail era longo. E porquê? Porque lá vinha Dr. fulano de tal, Senior Research Coordinator, Chairman of the Academic Board, Institute of Social Sciences, University of Lisbon etc. etc..

Recordo-me de há muitos anos, talvez uns 39, o meu pai ter recebido uma carta de um dos mais poderosos homens da Angola de então, que terminava assim, só assim: “Receba um abraço do Manuel Vinhas”.

Como são diferentes os tempos e as modas. Permitam-me relembrar uma outra história, mais ou menos da mesma altura. Um familiar meu chegou a Nova Lisboa (Huambo) ido de Portugal e, poucos dias depois, foi ter connosco ao Himalaia, um dos muitos bares (ou cafés, como por cá se diz) da cidade. Na mesa estavam cinco pessoas. Sentou-se, bebeu umas Cucas, conversou.

Ao outro dia quis saber mais exactamente quem estava na mesa. “Não é possível”, comentou num misto de espanto e receio. “Mas não se notava nenhuma diferença”, confessou.

Pois não. Não havia diferenças. E quem estava na mesa? Para além de mim, o meu pai (marceneiro), o David (pintor de construção civil), o Marques (engenheiro) e o Figueiredo (engenheiro e director da Cuca, de Nova Lisboa).

Por cá a sociedade é bem diferente. Uma asneira de todo o tamanho dita por Herman José é uma excentricidade, mas se dita por um merceeiro é uma má educação. Um péssimo texto escrito por Margarida Rebelo Pinto é uma obra-prima, um brilhante texto redigido pelo Zé dos Anzóis é um atentado.

E, se assim é, assim seja (até um dia).

sexta-feira, maio 07, 2010

Nada vai acontecer ao rapazola que deu de frosques com os gravadores dos jornalistas

Se Portugal fosse um Estado de Direito, Ricardo Rodrigues, deputado do Partido Socialista, vice-presidente do Grupo Parlamentar e membro do Conselho Superior de Segurança Interna, “arriscava-se a uma pena com prisão até três anos ou multa” por ter “tomado posse” (furtado em português) dos gravadores dos jornalistas da revista Sábado.

Como não é, socialistas e outros portugueses vão continuar a rir e a cantar... a bem do reino das ocidentais praias lusitanas a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos.

Segundo o Diário de Notícias (DN) de hoje, o deputado do PS, vice-presidente do Grupo Parlamentar e membro do Conselho Superior de Segurança Interna, enfrenta uma queixa por atentado à liberdade de informação.

O que é que isso é? Uma mão cheia de nada, diria Vieira da Silva, “espionagem política, sujeira, coscuvilhice e política de fechadura”, diriam outros dirigentes socialistas.

O Estatuto do Jornalista prevê, para este tipo de casos, “uma pena máxima de dois anos ou multa até 240 dias”. Daí que o Sindicato dos Jornalistas tenha decidido constituir-se assistente no processo levantado pelos jornalistas da Sábado no DIAP de Lisboa, explica o DN.

Isso é o que prevê o Estatuto do Jornalista. Mas o que prevê o Estatudo do Deputado? Pois é. Como muito bem explicou o rapazola que deu de frosques com os gravadores, bem acompanhado por Francisco Assis e Sérgio Sousa Pinto, o que se passou foi apenas a “tomada de posse” daqueles aparelhos.

O jornal dá conta também de que o Sindicato dos Jornalistas “considera que Ricardo Rodrigues poderá responder criminalmente por atentado à liberdade de informação” e ainda que, o deputado “tem a indeclinável obrigação de saber que os gravadores podem conter gravações cuja confidencialidade deve ser protegida”.

Como explicou o deputado do Partido Socialista, vice-presidente do Grupo Parlamentar e membro do Conselho Superior de Segurança Interna, foi para proteger a liberdade de informação que “tomou posse” dos gravadores, não fosse aparecer algum (outro) larápio a simplesmente furtar os gravadores...

"Sócrates quase pôs o Benfica como clube
do regime", diz Jorge Nuno Pinto da Costa

Em entrevista ao jornal ‘i', Pinto da Costa diz não se esquecer que, aquando da final da Taça da Liga, "o primeiro-ministro veio desejar publicamente a vitória do Benfica".

Reconheça-se que se há qualidades que Pinto da Costa tem, a memória é uma delas. E, aliás, o momento até é oportuno.

"Ele (José Sócrates) tem bom relacionamento comigo (...) agora veio quase pôr o Benfica novamente no papel de clube de regime. Estou curioso para ver quantos ministros e secretários de Estado vão estar no Estádio da Luz no domingo", confessa o dirigente portista.

Se o Benfica for campeão como tudo indica (eu preferia que fosse o Braga), também eu vou gostar ver se os políticos socialistas que, sinceramente ou não, marcam presença assídua nos camarotes VIP do Estádio do Dragão vão continuar a aparecer por lá.

É que uma coisa é ser visto com um campeão outra, bem diferente segundo muitos desses políticos, é estar junto de quem fica em terceiro lugar. Esperemos para ver.

Enquanto foi campeão, os camarotes do Estádio do Dragão eram os lugares onde se viam mais socialistas por metro quadrado.

Sempre tive dúvidas que todos fossem adeptos portistas, mas o que importava era estar ao lado de um campeão. Este ano o Futebol Clube do Porto deixou de o ser e, se calhar, vai diminuir a afluência dos políticos que, por norma, só estão onde está o poder.

Ou não fosse Portugal um país de aparências, de faz de conta. Um país onde o acessório é mais importante do que o essencial, onde o importante é ser assassinado pelo elogio e não salvo pela crítica.

De há muito que os portugueses se habituaram a ver os agentes da vida pública todos misturados numa orgia colectiva que, cada vez mais, mostra que a moralidade e a equidistância são valores pouco relevantes para um país que está acostumado a jogar no sistema de todos a monte e fé em Deus.

Políticos pigmeus e pigmeus políticos (entre outros) estão sempre colados ao poder, em bicos de pés para que todos os vejam.

PS abandona Comissão de Inquérito?Ricardo Rodrigues vai dar uma volta?

Ricardo Rodrigues, o deputado do Partido Socialista, vice-presidente do Grupo Parlamentar e membro do Conselho Superior de Segurança Interna de Portugal que “tomou posse” (furtou, em português corrente) os gravadores aos jornalistas da revista Sábado, continua na berra.

“Se alguma vez algum procurador de um processo vier ser ouvido nesta comissão ou entrarem aqui escutas, o PS abandona a Comissão Parlamentar de Inquérito”, afirmou do alto da sua sabedoria e autoridade Ricardo Rodrigues.

Acontece que os resumos e transcrições de escutas em que surgem Armando Vara e Paulo Penedos no âmbito do processo Face Oculta já chegaram ao Parlamento mas os deputados só vão “tomar posse” (aqui não é furtar) delas na próxima segunda-feira.

E então, das duas uma: Ou o PS cumpre a ameaça de Ricardo Rodrigues e abandona a Comissão Parlamentar de Inquérito (também, é certo, não faz lá falta nenhuma) ou o deputado demite-se e vai “tomar posse” de qualquer coisa lá para a rua dele.

Éclaro que nada disto vai acontecer. O PS e o deputado Ricardo Rodrigues vão continuar impávidos e serenos a gozar com a chipala dos portugueses. Tudo porque o PS não é uma “pessoa” de bem e Portugal não é um Estado de Direito.

Recorde-se que o PSD pediu, no dia 22 de Abril, ao procurador da República da comarca do Baixo Vouga, o envio dos “resumos e transcrições com relevância para o objecto do inquérito”.

No requerimento, os sociais democratas destacam que na carta que enviou à comissão, na sequência de um primeiro pedido de documentos, o juiz de instrução criminal de Aveiro refere expressamente não ter dúvidas “em afirmar que o `caso TVI´ apenas se percebe com a análise de tais produtos”, referindo-se ao conteúdo das conversações telefónicas ao ex-quadro do BCP Armando Vara e ao ex-assessor jurídico da PT, Paulo Penedos.

Recorde-se ainda que para Ricardo Rodrigues, deputado do Partido Socialista, vice-presidente do Grupo Parlamentar e membro do Conselho Superior de Segurança Interna de Portugal, “o PSD, ao pedir as escutas do processo Face Oculta, está a misturar o que é justiça e o que é política”.


“Estou aqui para avaliar responsabilidades políticas e não judiciais”, reforçou Ricardo Rodrigues, concluindo que “esta comissão é o desprestígio completo da Assembleia da República”.

quinta-feira, maio 06, 2010

Seis mil dólares de renda por um T2
(mas ao lado o povo morre de fome)

Os grandes “players” do imobiliário angolano vão ter de se reposicionar para encontrar respostas para as novas necessidades e porque o segmento da construção cara esgotará em breve, disse hoje à Lusa o director geral da Colliers International Angola.

Enquanto isso, ali mesmo ao lado, numa outra Angola, todos os dias, a todas as horas, a todos os minutos há angolanos que morrem de barriga vazia. 70% da população passa fome.

Alguns dos mais importantes empreendimentos imobiliários em Luanda, normalmente edifícios de vários pisos, são colocados à venda por preços que ultrapassam o milhão de dólares, havendo casos de dois a três milhões por apartamento.

Isto leva a que as rendas de apartamentos do tipo T2 possam, em Luanda, atingir em média entre quatro a seis mil dólares, passando-se o mesmo com os escritórios.

Enquanto isso, 45% das crianças angolanas sofrem de má nutrição crónica, uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos. No “ranking” que analisa a corrupção em 180 países, Angola está na posição 158.

Enquanto isso, em Angola, a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos, o silêncio de muitos, ou omissão, deve-se à coação e às ameaças do partido que está no poder desde 1975.

Enquanto isso, em Angola, 76% da população vive em 27% do território. Mais de 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros; mais de 90% da riqueza nacional privada foi subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população.

Enquanto isso, em Angola, o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

Enquanto isso, a CPLP vai ter na presidência (Angola) a partir de Julho um país cujo presidente (o único da Lusofonia) não só não foi eleito como é, dentro das boas tradições ditatoriais, o que há mais tempo está no poder. Qualquer coisa como 31 anos.

Recordam-se que o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, afirmou em 6 de Outubro de 2008 que o Governo iria aplicar mais de cinco mil milhões de dólares num programa de habitação que inclui a construção de um milhão de casas?

Recordam-se que a construção de um milhão de casas para as classes menos favorecidas de Angola e jovens foi uma das promessas da campanha eleitoral mais enfatizadas pelo Presidente da República de Angola e do MPLA, partido que governa o país há 35 anos?

Recordam-se que nesse dia o dono de Angola afirmou que "o objectivo dessa estratégia é proporcionar melhor habitação para todos, progressivamente, num ambiente cada vez mais saudável"?

Recordam-se que José Eduardo dos Santos disse que as "linhas de força" traçadas pelo Governo estão orientadas para uma "cooperação activa" entre a administração central e local do Estado, entre o sector público e o privado, com vista à execução de uma nova política que contribua para "a geração de empregos, para o desenvolvimento harmonioso dos centros urbanos, para a eliminação da pobreza e da insegurança, e para a eliminação também das zonas degradadas e suburbanas"?

Agências e “rating” dão a mais alta nota
ao bacanal prostibular do reino lusitano

O bacanal luso está de facto em alta. Não sei se, para esta matéria, existem também agências de “rating”. Se não existem devem ser criadas com a máxima urgência. Portugal estaria certamente nos primeiros lugares.

Desde um primeiro-ministro socialista (José Sócrates) que se vira para um deputado e diz: "Manso é a tua tia, pá!", a um ministro socialista da economia (Manuel Pinho) que faz uns cornos para outro deputado, passando por um deputado socialista (Ricardo Rodrigues) que rouba – ele chema-lhe “tomar posse” – os gravadores aos jornalistas que o entrevistavam... há de tudo no reino lusitano.

É claro que, embora com maioria absoluta nesta matéria, os socialistas não são os únicos protagonistas do prostíbulo em que transformaram a Assembleia da República e, naturalmente, também o país.

Recordo-me, por exemplo, de a primeira audição da Comissão Parlamentar de Saúde, em 9 de Dezembro de 2009, ficar marcada pela troca de ofensas entre os deputados Maria José Nogueira Pinto (PSD) e Ricardo Gonçalves (PS).

Num estilo socialista que está a fazer escola (há notícias de que poderá ser exportado para o Burkina Faso), o deputado Ricardo Gonçalves, professor de Filosofia eleito por Braga, motivou a irritação de Maria José Nogueira Pinto, que o apelidou de "palhaço".


No meio da palhaçada que por norma são as comissões de inquérito, a deputada disse que "não sabia que tinham contratado um palhaço" para a Comissão Parlamentar de Saúde.

Em resposta, Ricardo Gonçalves teceu comentários sobre a troca de cor política por parte de Maria José Nogueira Pinto, coisa que – convenhamos – nunca existiu no PS... ao que parece.

“Não fiquei ofendido com a afirmação da deputada Maria José Nogueira Pinto. A senhora está sempre a mudar de partido. Vende-se por qualquer preço e chamar-me palhaço considero um elogio porque são muito importantes por esta altura do Natal”, disse então Ricardo Gonçalves.

Crê-se, aliás, que terá sido esta brilhante actuação de Ricrado... Gonçalves, embora num palco secundário do prostíbulo-mor, que terá motivado a veia cómica (mas igualmente criminal) de Ricardo... Rodrigues.

E se, na minha opinião, chamar palhaços a alguns deputados é grave (por ofensa directa ao verdadeiros palhaços), dizer que a deputada (“vende-se por qualquer preço”) é uma prostituta – mesmo que seja na versão “soft” de cariz intelectual – já não me parece tão grave dado o contexto prostibular em que (con)vivem alguns deputados.

Se calhar, digo eu do alto da minha ingenuidade, os deputados do prostíbulo (outrora chamado de Parlamento) apenas seguem os exemplos dos mais altos representantes do bacanal colectivo que, no mesmo local, falaram de “espionagem política”, “sujeira”, “coscuvilhice” e “política de fechadura”...

Socialista Ricardo Rodrigues dá decisivo contributo para "esta" língua portuguesa

Ricardo Rodrigues, deputado do Partido Socialista, vice-presidente do Grupo Parlamentar e membro do Conselho Superior de Segurança Interna de Portugal, apadrinhado por Francisco Assis e Sérgio Sousa Pinto, sob a erudita égide de José Sócrates, escreveu mais uma siblime página da língua portuguesa.

Assim, o verbo furtar passa a ser cunjugado de forma diferente desde ontem (ver
Deputado rouba gravadores a jornalistas - É o Portugal socialista ao seu melhor nível):

No presente, o verbo furtar passa a conjugar-se da seguinte forma: eu tomo posse, tu tomas posse, ele toma posse, nós tomamos posse, vós tomais posse, eles tomam posse.

Aliás, de há muito que Ricardo Rodrigues tenta destronar a relevância mediática do seu colega, igualmente erudito, Augusto Santos Silva, sobretudo quando o país começou a ver que político açoriano se destacava nos anais do anedotário nacional.

Ricardo Rodrigues, que não permite protagonismos socialistas por camaradas alheios, também já avisou que o PS abandonará a Comissão de Inquérito ao caso TVI se o procurador Marques Vidal, responsável pelo processo Face Oculta, for ali ouvido.


E o sotaque do deputado especialista em “tomar posse” do que é dos outros foi de tal modo forte que os adversários se calaram. Pouco dispostos ao silêncio estão os jornalistas da Sábado, razão pela qual o deputado do Partido Socialista, vice-presidente do Grupo Parlamentar e membro do Conselho Superior de Segurança Interna resolveu “tomar posse” dos seus gravadores.

“Se alguma vez algum procurador de um processo vier ser ouvido nesta comissão ou entrarem aqui escutas, o PS abandona a Comissão Parlamentar de Inquérito”, afirmou do alto da sua sabedoria (presumo que delegada) Ricardo Rodrigues. Por saber ficou se o autoritarismo revelado tinha sido delegado ou se o deputado apenas dele tinha “tomado posse”.

Recorde-se que o deputado do Partido Socialista, vice-presidente do Grupo Parlamentar e membro do Conselho Superior de Segurança Interna considerou que “o PSD, ao pedir as escutas do processo Face Oculta, está a misturar o que é justiça e o que é política”, acrescentando que a “esta comissão é o desprestígio completo da Assembleia da República”.

De facto, apesar de este Partido Socialista, representado por este e outros deputados de igual nível, estar contra a chamada do procurador, o mesmo não se passou quando Souto Moura, o antecessor de Pinto Monteiro na Procuradoria, foi à Comissão de Inquérito do “Envelope 9″, em 2007.

Dir-me-ão, com toda a razão, que nessa altura Ricardo Rodrigues ainda não tinha “tomado posse”...

«Aerograma», livro de Afonso Loureiro

«Aerograma», o livro sobre a vida de um expatriado em Angola, será lançado este ano. O autor, Afonso Loureiro, é engenheiro geógrafo e viveu e trabalhou em Angola, país cuja vivência foi partilhando, tentando perceber e explicar como são os angolanos e as suas tradições aos olhos dos estrangeiros.

O título do livro é uma palavra envolta em cores e memórias africanas e remete de imediato para o sentimento de separação e partida para uma terra desconhecida e distante, ao mesmo tempo que simboliza uma união com os que ficaram em casa, como o foi para os milhares de militares mobilizados para a guerra ultramarina de há quatro décadas.

Ao longo de dois anos escreveu artigos diários no blogue Aerograma, que agora são usados como matéria-prima para um livro onde traça o seu percurso em Angola, descrevendo o país e as suas gentes ou revisitando memórias de quem lá viveu antes. O choque cultural sofrido em Luanda, cidade difícil, ainda a sofrer as consequências sociais da guerra civil, com corrupção generalizada e uma verdadeira lei da selva a reger os comportamentos dos seus habitantes é uma parte substancial da obra.

Embondeiros e candongueiros, mais-velhos e marcas de outros tempos, lado-a-lado com a tentativa de compreender Angola como país enchem as páginas com factos, histórias e lendas, criando uma imagem do que é a vida na Angola actual.

Mais do que uma descrição, é uma tentativa de perceber o que há em África e, em especial Angola, que enche as memórias de milhares de portugueses de forma tão marcante.

Na opinião do jornalista e escritor (e também colunista cá da casa) Orlando Castro, “Angola é um país sobre o qual todo o mundo escreve”, mas – arescenta – “para sentir o seu quotidiano, nomeadamente mas não só o de Luanda, nada melhor do que ler o blogue e certamente em breve o livro de Afonso Loureiro”.

Orlando Castro cita, a propósito, uma passagem de um dos textos publicado no Aerograma, na circunstância com o título “Editorais nervosoas”: “Uma coisa é ter liberdade para escrever o que se quiser. Outra coisa bem diferente é abusar dessa liberdade para insultar ou ofender gratuitamente. O caso ainda é mais grave devido à associação entre o Jornal de Angola e o Estado. Um porta-voz oficioso não pode comportar-se assim. A não ser que aquilo não seja para ser levado a sério”.

“Sendo os textos do blogue a matéria-prima do livro de Afonso Loureiro, não tenho a mínima dúvia em afirmar que se tratará de um marco relevante e incontornável da literatura angolana, queiram ou não os arautos das verdades oficiais “, afirma Orlando Castro, acrescentando que “certamente através do livro, como acontece com o blogue, os leitores percebem a razão pela qual amar Angola é algo que se sente mas não se define. ”.

In: Notícias Lusófonas
http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=26593&catogory=Cultura

quarta-feira, maio 05, 2010

Deputado rouba gravadores a jornalistas
- É o Portugal socialista ao seu melhor nível

O vice-presidente da bancada parlamentar do PS, Ricardo Rodrigues, ficou (meteu ao bolso, furtou, roubou) com dois gravadores dos jornalistas da revista Sábado durante uma entrevista. A revista apresentou uma queixa por furto e atentado à liberdade de imprensa e informação. É, mais uma vez, o Portugal socialista no seu melhor!

Questionado sobre as suas ligações a um antigo processo de burla nos Açores e a casos de pedofilia, o deputado terminou bruscamente a entrevista e levou os dois gravadores consigo.

É, mais uma vez, o Portugal socialista no seu melhor! Ou, citando o primeiro-ministro do reino, José Sócrates, mais uma demonstração inequívoca de que em Portugal não há falta de liberdade... para afanar os gravadores dos jornalistas.

Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada do PS (de que outro partido poderia ser?), explicou que “tomou posse”, de forma “irreflectida”, de dois gravadores da revista Sábado, durante uma entrevista, porque foi exercida sobre ele uma “violência psicológica insuportável”.

Ora aí está. A partir de hoje a criminalidade em Portugal nunca mais será a mesma. Quando um carteirista for apanhado só terá de dizer que “tomou posse”, de forma “irreflectida”, da carteira da vítima.

Numa declaração sem direito a perguntas dos jornalistas (que pelo sim e pelo não mantiveram os gravadores a uma distância segura, não fosse haver mais alguma “irreflectida tomada de posse”), o deputado Ricardo Rodrigues anunciou que, na passada segunda-feira, apresentou no Tribunal Cível de Lisboa uma providência cautelar contra a revista Sábado e dois jornalistas da mesma publicação.


A entrevista, realizada a 30 de Abril, acabou por ser interrompida por Ricardo Rodrigues, que, antes de abandonar a sala, furtou (ou, segundo a terminologia socialista, “tomou posse”) os dois gravadores digitais dos jornalistas.

Na Assembleia da República, o deputado socialista, acompanhado pelo líder parlamentar, Francisco Assis, e por um outro membro da irecção do grupo, Sérgio Sousa Pinto, justificou a sua “tomada de posse” (não como deputado mas como tomador de posse de gravadores) pelo “tom inaceitavelmente persecutório” das perguntas e pelos “temas e factos suscitados, falsos e mesmo injuriosos”.

Em causa, apontou, estavam perguntas relacionadas com a sua “alegada cumplicidade” com clientes que “patrocinou” enquanto advogado e que “foram condenados relativamente a factos de 1997”. E ainda “injúrias e difamações que estão a ser julgadas no Tribunal de Oeiras”, em que são réus a SIC, a SIC/Notícias e o jornalista Estevão Gago da Câmara.

“Porque a pressão exercida sobre mim constituiu uma violência psicológica insuportável, porque não vislumbrei outra alternativa para preservar o meu bom nome, exerci acção directa e, irreflectidamente, tomei posse de dois equipamentos de gravação digital, os quais hoje são documentos apensos à providência cautelar”, justificou.

E é graças também a esta original forma de “tomar posse” do que é dos outros, que Portugal, desceu do 16º lugar, em 2008, para o 30º, em 2009 em matéria de liberdade de Imprensa.

E não tardará muito que o Portugal socialista adopte as mesmas regras da Guiné Equatorial, país que o ano passado ensinou o que é a liberdade de Imprensa mandando quatro meses para a choldra o único correspondente estrangeiro que por lá andava.