segunda-feira, abril 04, 2011

O MPLA precisa de mais 30 anos para fazer com que Angola seja um Estado de Direito!

O MPLA, com o seu brilhantismo habitual, diz que os angolanos são capazes de reconstruir o país, de criar condições para erradicar a pobreza e de promover o desenvolvimento e o bem-estar social.

Os angolanos são, sim senhor, capazes de tudo isso. Pena é que o regime não os ajude. Já lá vão nove anos de paz total e, feitas as contas, poucos continuam a ter cada vez mais milhões e, é claro, milhões continuam a ter cada vez menos.

A constatação propagandística do MPLA, partido no poder desde 11 de Novembro de 1975, insere-se naquilo a que se convencionou chamar o Dia da Paz e da Reconciliação Nacional e que hoje se assinala.

Este desafio, segundo o MPLA e de acordo com um texto publicado por um dos órgãos oficiais do regime (o Jornal de Angola), deve constituir a base para continuar a construir o futuro do país.

O MPLA exortou os seus militantes, simpatizantes e amigos e todo os angolanos a transformarem as comemorações do 4 de Abril numa "verdadeira jornada de reflexão e de júbilo".

Que o regime esteja em júbilo (assinala desde logo a rendição da UNITA) ainda vá que não vá. No entanto, aos angolanos resta eventualmente reflectir... de barriga vazia.

Apesar de tudo, o regime espera que as reflexões dos angolanos não sejam muito profundas.

Reflectir sobre o estado actual de Angola é lembrar que apenas um quarto da população tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade; que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos.

Reflectir sobre o estado actual de Angola é lembrar que 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos.

Reflectir sobre o estado actual de Angola é lembrar que a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolano; que 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros; que mais de 90% da riqueza nacional privada é subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população; que 70% das exportações angolanas de petróleo tem origem na sua colónia de Cabinda.

Reflectir sobre o estado actual de Angola é lembrar que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

O MPLA pede aos angolanos que fortifiquem os laços de união em prol da busca de consensos para o futuro do país, a consolidação da unidade nacional e o aprofundamento do processo democrático em curso.

Essa do aprofundamento do processo democrático em curso é mesmo brilhante. Aliás, nem sequer haveria necessidade de o aprofundar. Basta ver que, por exemplo, o presidente da República, José Eduardo dos Santos, está no poder há 32 anos sem nunca ter sido eleito...

Por alguma razão, o MPLA (dirigido por José Eduardo dos Santos) aproveita a ocasião para reiterar ao presidente da República (José Eduardo dos Santos) e ao Executivo (liderado por José Eduardo dos Santos) todo o seu apoio na direcção e realização das ingentes tarefas da reconstrução nacional, visando a melhoria das condições de vida do povo.

"A paz tem permitido ao nosso povo o usufruto do direito à segurança, à tranquilidade, à estabilidade e à livre circulação em todo o território nacional e tem facilitado o processo de reconstrução e de criação de infra-estruturas para o desenvolvimento, o que tem sido constatado, de forma entusiasta, por todos os de boa-fé, cientes de que a paz veio para ficar e de que o futuro será infinitamente melhor do que o passado", lê-se na declaração do regime.

Pois é. Tudo isso é visto, sentido, apoiado e reconhecido pelo menos por 70 por cento da população que, recorde-se, continua na miséria.

"O processo de reconciliação nacional, que continua a decorrer de forma sólida, não obstante as inúmeras tentativas de o dificultar, permite que os angolanos acreditem no futuro e tem constituído um factor importante para a consolidação da economia e o seu notado crescimento, viabilizando o processo de reconstrução nacional e a paulatina melhoria das condições de vida do nosso povo", sublinha a declaração do Secretáriado do Bureau Político do MPLA, sobre o Dia da Paz e da Reconciliação Nacional.

O MPLA, o regime, José Eduardo dos Santos (são tudo sinónimos) não diz mas, importa reconhecê-lo, as “inúmeras tentativas de dificultar” todo o processo fazem com que, no mínimo, o MPLA precise aí de mais uns 30 anos para tornar o país num Estado de Direito.

domingo, abril 03, 2011

“Jobs for de boys” antes que seja tarde!

O Governo português, e embora esteja demissionário não deixa de ser socialista na versão José Sócrates, não parou de contratar e promover funcionários após o chumbo do PEC 4 a 23 de Março.

A tese é cada vez mais a de “jobs for de boys” antes que seja tarde! De acordo com as publicações em Diário da República contabilizadas pelo jornal “Diário de Notícias”, o Executivo de José Sócrates assinou 85 nomeações e 71 promoções.

Nada mau. É, aliás, uma forma de contribuir para a dominuição do desemprego. Com este decisivo contributo socialista, já não serão 700 mil os desempregados...

Com as eleições marcadas já para 5 de Junho, algumas nomeações para, por exemplo, gabinetes ministeriais terão de sair num máximo de três meses. Caso disso é a nomeação para adjunto da ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas.

Em sete dias, este número de nomeações - 85 - traduz-se numa média recorde de 12 por dia.

Como diria José Junqueiro, este será com certeza mais um exemplo de que o primeiro-ministro José Sócrates “é uma oportunidade para o país, mas também um exemplo para a Europa”.

O ministério que mais nomeações fez foi o da Administração Interna, com 19 novos membros. Depois seguiu-se a Presidência do Conselho de Ministro, com 13 nomeações e o Ministério da Defesa, com nove. O jornal escreve que das 85 nomeações, 27 foram substituições.

Bem podem “salivar” os partidos a oposição, mas que Sócrates é o perito dos peritos nesta matéria de protecção aos seus vassalos, lá isso é. O homem sabe o que faz e, é claro, os “boys” agradecem penhoradamente.

Embora não se aplique aos portugueses de segunda, os de primeira (socialistas na versão Sócrates) sabem que precisam de homens públicos que saibam estar à altura das responsabilidades.

Este é apenas o mais recente exemplo. Não admira, por isso, que o primeiro-ministro seja considerado pelos seus acólitos como o motor da esperança para vencer as dificuldades, pois José Sócrates não só tem um discurso da resistência e ganhador como pratica o bem junto dos seus apaniguados.

Cada vez mais os “boys” socialistas enaltecem a similitude entre Deus (no céu) e José Sócrates (na terra).

Zé Povinho tuga acusa José Sócrates de, entre outras qualidades, ter um “notável cinismo”

O Zé Povinho tuga acusa o líder do PS, José Sócrates, de “notável cinismo” ao declarar que o Governo tudo fará para evitar um pedido de ajuda externa.

“Diz ele que está absolutamente disponível para dar todo o apoio ao país. Mas saberá o líder do PS o que isso significa, depois de ter estado seis anos no poder e ter lavado Portugal ao estado em que está?", pergunta o Zé Povinho tuga.

E acrescenta: "Terá ele a consciência do mal que fez ao nosso país, terá ele ideia dos danos de reputação e de desprestígio para o nosso país? Quantos PEC seriam ainda necessários?”

O Zé Povinho tuga considera que "felizmente, por um acto de total consciência, toda a oposição se juntou para derrotar o PEC que garantiria que Portugal ainda se queria afundar mais”.

Para o Zé Povinho tuga, "este gesto de toda a oposição, mas em particular do líder do principal partido das oposição ficará para os anais da história política como provavelmente o momento em que mais objectivamente se sacrificaram os interesses socialistas que visavam pô-los acima dos interesses nacionais".

E questiona o Zé Povinho tuga: "Saberia José Sócrates o que estava e está a fazer ao país? Terá ele consciência de que nestes últimos dias os nossos juros subiram, os ratings da república baixaram, os ratings do nosso sistema financeiro também foram afectados, que Portugal está hoje em maiores dificuldades para garantir o financiamento da República e também o financiamento da nossa economia?"

Segundo o Zé Povinho tuga, o PS "não parou um minuto para pensar nas consequências. Teve uma governação de total irresponsabilidade, sem medir as consequências, sem um momento de abertura ao diálogo sério, empurrando o país para esta circunstância, para uma crise política que nos prejudica em termos nacionais e internacionais".

E prosseguiu o Zé Povinho tuga: "E porquê? É preciso denunciá-lo. Sócrates fê-lo por mera ânsia de continuar no poder, por sofreguidão de poder porque não tinha nada mais no seu espírito do que essa ideia de que isto é uma questão de poder. O país merecia mais respeito por parte do PS".

O Zé Povinho tuga, que falava no encerramento de um dos seus habituais monólogos, chamou ainda a atenção para "a sucessão de declarações a propósito das medidas" do PS.

E apontou: "Primeiro foi o aumento dos impostos, num primeiro momento sim, num segundo momento não, depois talvez e agora é talvez sim talvez não. Eu compreendo bem o que isto quer dizer, ele quer aumentar ainda mais os impostos. Não tem é coragem de o dizer. E depois vem o 13º mês e ainda mais despedimentos. Um dos coordenadores dos sucessivos grupos de trabalho que o PS para lá tem, diz não são despedimentos, são transferências do sector público para o sector privado".

"Como? Eu não vejo outra forma de transferir do público para o privado sem despedir. E não vale a pena disfarçarmos com eufemismos", sustenta o Zé Povinho tuga.

O Zé Povinho tuga diz ainda que o PS continua com uma “agenda aventureira irresponsável e leviana. Revela tudo, revela a total impreparação com que o PS governou o país nos últimos anos”.

sábado, abril 02, 2011

A Costa do Marfim existe mesmo?

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) afirma que num só dia foram mortas pelo menos 800 pessoas em Duékoué, na zona oeste da Costa do Marfim.

Nada de importante a fazer fé nas preocupações humanitárias da NATO, dos EUA, da Europa que – com a cobertura mediática necessária (como é o caso das televisões portuguesas) – estão mais preocupados com o que se passa na pátria do, citando José Sócrates, “lider carismático” Muammar Kadhafi.

"Não há dúvida que se passou nesta cidade (Duékoué) qualquer coisa de grandes dimensões e o CICR ainda está a recolher informações", afirma a porta-voz da organização em Genebra, Dorothea Krimitsas, adiantando que os delegados da Cruz Vermelha tinham "eles mesmo visto um grande número de corpos".

A chefe da diplomacia do CICR na Costa do Marfim, Dominique Leingme, considera que "este acontecimento é particularmente chocante pela sua dimensão e brutalidade".

"O CICR condena os ataques directos contra os civis e recorda a obrigação das partes envolvidas no conflito de assegurar, em todas as circunstâncias, a protecção sobre o território que controlam", acrescentou Dominique Leingme.

Nos últimos dias aumentaram os confrontos na Costa do Marfim entre partidários do presidente cessante, Laurent Gbagbo, e do seu rival, Alassane Ouattara, reconhecido pela comunidade internacional como tendo ganho as eleições.

Militares leais ao presidente cessante, Laurent Gbagbo, apelaram à mobilização das tropas para a "protecção das instituições da República", durante uma mensagem lida na televisão estatal RTI.

Entretanto, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, pediu a saída "imediata" do presidente Laurent Gbagbo, referindo ainda que os autores das violações dos direitos humanos no país "serão responsabilizados diante da justiça internacional".

A Costa do Marfim encontra-se em guerra civil desde que Gbagbo não aceitou a derrota frente a Alassane Outtara na segunda volta das eleições presidenciais.

Recorde-se, entretanto e apenas por mera curiosidade, que o Chefe de Estado do Senegal, Abdoulaye Wade, acusa o governo angolano de dar apoio militar e financeiro a Laurent Gbagbo.

Porque é que isto se passa na Costa do Marfim? Apenas porque se esqueceram, neste e em muitos outros casos, de dizer que, para além de haver (uma espécie de) eleições, quando as há, quem perde tem de sair.

Laurent Gbagbo, como exigia a comunidade internacional, lá pôs o povo a votar. Mas como não explicaram tudo, ele esqueceu-se (ao contrário do que fez em Angola o seu grande amigo José Eduardo dos Santos) de pôr os mortos a votar. Vai daí, perdeu. Perdeu mas não quer sair.

Tal como na Líbia, na Costa do Marfim existem muitas armas e muita gente para morrer. A situação tem, pelo menos a fazer fé nos muitos exemplos que chegam da região, uma grande vantagem: o povo morre mas as riquezas continuam lá...

A comissária para a ajuda humanitária e controlo de crises da União Europeia, Kristalina Georgieva, diz que “a crise merece a mesma atenção à de outros países em conflito, por causa do número de pessoas afectadas, que excede as que vivem a mesma situação na Líbia”.

Do ponto de vista mediático, o importante é mostrar ao mundo que a aviação líbia tornou em escombros grande quantidade de prédios. Reconheço que tal não acontece em África.

Não acontece mesmo. Em zonas onde há milhões de pessoas que vivem (quando vivem) em cubatas é difícil, calculo eu, ter imagens de prédios destruídos...

Em Angola, quem tem barriga tem medo! (II)

O segundo-secretário provincial do MPLA, Jesuino Silva, apelou hoje, aos militantes do seu partido para estarem vigilantes com certos elementos oportunistas que pretendem confundir a mente dos jovens, convocando manifestações com fins inconfessos.

Referia-se à manifestação de hoje (foto) que acabou por contar com algumas centenas de manifestantes.

“Fiquem atentos com esses indivíduos oportunistas, que foram estudar no exterior do país sem conseguirem terminar os cursos e querem vir falar em nome dos jovens angolanos”, denunciou Jesuino Silva.

O regime angolano, dirigido por José Eduardo dos Santos (há 32 anos no poder sem ter sido eleito), começa a fazer fogo em todas as direcções, temendo que – mesmo de barriga vazia – o Povo resolva dizer que está farto.

E se umas parcas centenas de jovens conseguem pôr o regime a fazer contas e a manter o dedo na gatilho, o que acontecerá quando o Povo resolver mesmo dizer basta?

Ao contrário do que afirma Jesuino Silva, estes jovens sabem que só é derrotado quem deixa de lutar. E deixar de lutar é algo que eles não aceitam. E não aceitam porque estão fartos de ver poucos a ter cada vez mais milhões, e milhões a ter cada vez menos.

(Im)polutos sim senhor e com certeza!

No dia 20 de Junho de 2010, em Baião, o secretário de Estado da Administração Local de Portugal, José Junqueiro, antecipou em muitos meses o que agora se verifica ser uma certeza: o primeiro-ministro José Sócrates “é uma oportunidade para o país, mas também um exemplo para a Europa”.

Já nessa altura, ou sobretudo nessa altura, era possível verificar as condições exigidas para se ser deste PS. Basta ouvir José Junqueiro.

E são elas, subserviência total, coluna vertebral amovível (ou, preferencialmente, ausência dela) e disponibilidade total para estar sempre de acordo com o dono do partido e, na circunstância, do país.

“O que nós precisamos é de homens públicos que saibam estar à altura das responsabilidades”, afirmou José Junqueiro sobre o chefe do Governo, a propósito das dificuldades económicas por que passava e passará Portugal e outros países europeus.

Crê-se, aliás, que para além de uma notável demonstração de subserviência, a tese de Junqueiro visa o lançamento da candidatura de José Sócrates a algo mais do que ser um simples primeiro-ministro do protectorado alemão que dá pelo nome de Portugal.

O secretário de Estado lembrou nessa altura o défice de 9,3 por cento em Portugal, mas também os 11 por cento dos Estados Unidos e os 12 por cento do Reino Unido.

“Na quinta economia, a da França, e na primeira economia, a da Alemanha, tal como na outras economias poderosas, as coisas não vão de feição”, acrescentou.

Pois é. Daí que que Nicolas Paul Stéphane Sarkozy de Nagy-Bocsa e Angela Dorothea Merkel, entre muitos – mas mesmo muitos e não só da Europa – tenham já pedido a erudita ajuda de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.

José Adelmo Gouveia Bordalo Junqueiro, um professor universitário de Aveiro, que não deixa os seus créditos por louvaminhas alheias, considerou que o Governo de Portugal estava a tomar as medidas adequadas para corrigir o défice e lembrou os sinais de recuperação da economia portuguesa nos primeiros meses de 2010.

E a quem se deve tão esforçado trabalho em prol dos 700 mil desempregados, dos 20% de portugueses que estão na miséria e de outros 20% que já a têm a bater à porta? Claro. A José Sócrates.

“Portugal cresceu a um ritmo recorde em toda a Europa no primeiro trimestre. Já sei que no segundo trimestre vai repetir a mesma dose. O crescimento de Portugal está em marcha”, enfatizou, sem deixar tempo a que a audiência tivesse dúvidas sobre a similitude entre Deus (no céu) e José Sócrates (na terra).

“O primeiro-ministro é o motor desse ânimo e dessa esperança para vencer as dificuldades”, salientou Junqueiro, acrescentando que José Sócrates, “com a sua determinação, tem um discurso positivo, um discurso da resistência e ganhador”.

O secretário de Estado e dirigente nacional do PS criticou depois o PSD, considerando “não ser um bom exemplo para o país” o maior partido da oposição “aconselhar Portugal a recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) ou a fundos europeus”.

“Isso dá um sinal de fragilidade”, observou José Junqueiro, lembrando que esse tipo de discurso pode conduzir à queda das bolsas e de outros indicadores económicos.

Limitou-se, sem originalidade, a dizer o que dissera o seu chefe. Mas, reconheço, repetir o que o chefe diz é meio caminho andado, mesmo quando as provas acabam por revelar que, afinal, José Sócrates não sabe o que diz e não diz o que sabe, se é que sabe alguma coisa.

Em Angola, quem tem barriga tem medo!

Se alguma dúvida (ainda) existisse sobre a liberdade em Angola, bastava ver que apenas cerca de 50 pessoas, sobretudo jovens, participam na manifestação de hoje, em Luanda, em defesa da liberdade de expressão.

Os jovens que convocaram a manifestação, crentes de que Angola é um Estado de Direito e uma democracia, são sobretudo os mesmos que tentaram no passado dia 7 de Março pôr a força da razão acima da razão da força.

Ingénuos, como é próprio – e ainda bem – da juventude, acreditaram que seria possível fazer ouvir a sua voz crítica num país que, para além de um presidente não eleito e há 32 anos no poder, é constituído por 70 por cento de pobres.

De qualquer modo, como aconteceu com a manifestação anterior, também a de hoje deixa sementes que um dia destes poderão nascer e, talvez, vir a dar voz a quem a não tem, ao contrário do que agora se passa, já que voz só o regime é que tem.

«Miséria, esquecimento da família, desfalques, roubos no estado angolano, estrangeiros em primeiro lugar, prepotência e arrogância, ditadura de José Eduardo dos Santos no poder, basta!», é uma das mensagens escritas num dos cartazes. Mensagem que, aliás, retrata bem o que se passa no reino de José Eduardo dos Santos.

De prático, e no imediato, pouco trará. Fica, contudo, a certeza de que o regime sabe o que o povo pensa e por isso tem tanto medo.

Outros cartazes dizem: «Viva a liberdade de expressão», «Libertem as mentes, angolanos», «Senhor arquitecto [referência e Eduardo dos Santos], refaz o plano».

Os mais corajosos, o que no caso de Angola é sinónimo de um provável choque com uma bala perdida, gritaram contra aditadura do regime do MPLA, mostrando aos donos do país e também à comunidade internacional, que para Angola não ser uma ditadura só terá de... deixar de ser uma ditadura.

Entretanto, mesmo com a cobertura criminosa da comunidade internacional e até mesmo da própria CPLP - Comunidade de Países de Língua Portuguesa (à qual, aliás, Angola preside), haverá sempre quem nunca esqueça que apenas um quarto da população angolana tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade, que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos.

Quem nunca esqueça que 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos.

Quem nunca esqueça que a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos, que 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros, que mais de 90% da riqueza nacional privada é subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população, que 70% das exportações angolanas de petróleo tem origem na sua colónia de Cabinda.

Quem nunca esqueça que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

FMI ou Angola? Merkel ou Dos Santos?

Mário Soares critica a perda dos "princípios europeus". Freitas do Amaral defende que é altura de parar a pressão da chanceler alemã. E ninguém se lembra de pedir ajuda a José Eduardo dos Santos?

Mário Soares considera que não existem motivos para temer o Fundo Monetário Internacional (FMI) e lembra que, por duas vezes no passado, o FMI ajudou a pôr em ordem e na ordem Portugal.

"Hoje quem manda (em Portugal) é a senhora Merkel e um pouco o senhor Sarkozy, porque ela precisa do Sarkozy e o Sarkozy obedece", diz Mário Soares.

Freitas do Amaral também entende, em tese já que na prática é o que vê, que é tempo de travar a comportamento político da chanceler alemã e lembra que só foi eleita por 40 por cento do povo alemão.

O fundador do CDS considera, no que ao FMI respeita, que o Governo e o PSD criaram o "fantasma" da ajuda externa, criticando a insistência em “resistir” a todo o curso”.

"Tanto o Governo como o principal partido da oposição convenceram-se que seria uma fatalidade para o nosso país ter que pedir ajuda externa, fosse ela à União Europeia ou ao FMI", afirmou Freitas do Amaral, criticando o actual secretário-geral do PS por dizer “que era uma indignidade nacional recorrer ao FMI quando o fundador e primeiro secretário-geral do PS (Mário Soares) recorreu duas vezes ao FMI e não foi nenhuma indignidade e salvou o país por duas vezes da bancarrota".

Estas afirmações foram feitas ontem na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, durante a conferência sobre “Democracia no século XXI: que hierarquia de valores?”.

No tempo em que Mário Soares pediu a ajuda do FMI não havia outra alternativa. Hoje, no entanto, a situação é diferente.

Portugal pode pedir ajuda (ou até vender-se) a Angola (na linha da proposta de Ramos Horta para que Timor-Leste e Brasil comprem dívida pública portuguesa).

Se Portugal não pedir ajuda ao clã Eduardo dos Santos, o mais certo será que o regime angolano acabe por lançar uma Oferta Pública de Aquisição sobre a velha, caquética e esclerosada potência colonial. A hipótese, já em prática, da compra a retalho também pode ser uma alternativa.

Eu sei que a maioria dos angolanos continua a passar fome, mas se José Eduardo dos Santos está mais preocupado em comprar, ou colonizar, Portugal do que em dar de comer ao povo, quem sou eu para contestar?

sexta-feira, abril 01, 2011

A salvação está no MPLA. Amém!

Às ocidentais praias, lusitanas e socialistas, situadas a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos, restam duas únicas alternativas, como bem sabem os 700 mil desempregados, os 20% de miseráveis e os outros 20% que já estão à porta da miséria.

Portugal ou se afunda totalmente (já é pouco o que está fora de água) e passa o testemunho a uma comissão liquidatária liderada por exemplo por Angola, ou assume que quer ser uma espécie de Burkina Faso da Europa.

Aliás, nada disto é novo. Há mais de 500 anos que os antepassados dos portugueses sabiam que o reino não tinha futuro se aceitasse passivamente estar limitado às actuais fronteiras.

Foi por isso que, num daqueles rasgos de heroicidade de outros tempos resolveram dar luz ao mudo.

Lembram-se que foi um português que disse "De África tem marítimos assentos; É na Ásia mais que todas soberana; Na quarta parte nova os campos ara; E se mais mundo houvera, lá chegara!"?

Regressemos, entretanto, à versão sul-europeia do Burkina Faso. Portugal continua, de facto e cada vez mais de jure, sem ser um país, sem ser um Estado de Direito. É cada vez mais um local muito mal frequentado em que uma reduzida casta de "nobres" donos da verdade escraviza toda a plebe, tratando-a como se fossem escravos. E já faltou mais para o serem.

Em Portugal nada funciona bem para a esmagadora maioria, embora funcione quase na perfeição para os que estão no poder e, é claro, para os que têm esperanças de lá chegar a curto prazo.

Segundo a Transparency International, mais de meio mundo acredita que partidos, parlamentos, polícia e tribunais são as instituições mais atingidas por uma corrupção quotidiana generalizada.

Todavia, no caso do tal reino das ocidentais praias socialistas lusitanas, tudo se resolverá com o tal "apelo à cidadania responsável e participativa" para a qual, penso, é fundamental que os portugueses se inscrevam nas organizações mais incólumes à corrupção e que, nesta altura, são com certeza os partidos nacionais, a começar pelo Socialista de José Sócrates, mas sem esquecer todos os outros.

Mas nada disto é relevante. Importa é salientar o orgulho luso de ver Sócrates dizer a Durão Barroso: "Conseguimos, pá!", de ver Cavaco Silva levar cem empresários ao reino de Angola, de ver Pedro Passos Coelho de “joelhos” (segundo o PS) em Espanha...

Ao que parece, 70% dos portugueses (claramente manipulados pelas forças do mal que só sabem fazer campanhas negras) considera os partidos políticos (isto é, aqueles seitas consideradas vitais nas democracias) as instituições mais corruptas.

Mas poderá lá ser! Corrupção nos partidos portugueses? Certamente que Transparency International se esqueceu de ouvir os militantes socialistas, os candidatos a militantes socialistas, os desempregados que querem ser socialistas para arranjar emprego, os empregados à custa do PS etc. Se os tivesse ouvido saberíamos que no partido de José Sócrates a corrupção não entra. E não entra porque já lá está, porque nunca de lá saiu, digo eu.

"Hoje somos confrontados diariamente com dramas pessoais e familiares que dificilmente poderíamos imaginar. São dramas que as estatísticas nem sempre revelam, mas que nos vão alertando para a dimensão social que a actual crise económica e financeira tem vindo a assumir", declarou pelo menos uma vez o chefe de Estado português, como se nada tivesse a ver com o assunto.

Que Cavaco Silva tenha dificuldade em imaginar os múltiplos dramas dos portugueses, ainda vá que não vá. Não pode, contudo, é escudar-se na ignorância de quem vive longe do país real para sacudir a água do capote e para fingir que não sabe que Portugal talvez gostasse de ser mas (ainda) não é um Estado de Direito.

Um Estado de Direito conquista-se quando se não tem medo de dizer a verdade. E esta, quer o presidente queira ou não, não é pertença nem do queixoso, nem do réu, nem do juiz e muito menos daqueles que têm dinheiro para comprar o queixoso, o réu e o juiz.

Os políticos de uma forma geral, sejam o Presidente da República, os membros do Governo, os deputados ou autarcas, teimam em tapar o sol com uma peneira, mesmo quando o fazem a meio da noite.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de Portugal) esperar-se-ia que tomasse medidas para castigar tanto o ladrão que entra em casa como o que fica à porta. Mas não. Cavaco Silva, na sua qualidade de mais alto magistrado da nação, parece querer castigar as vítimas e não os ladrões.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de Portugal) esperar-se-ia que visse a quem beneficia a infracção, que argumentos usa para cilindrar a liberdade e sobretudo porque o faz de forma completamente impune.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de Portugal) esperar-se-ia muita coisa. E não apenas o óbvio para tudo continuar na mesma, para uns relembrarem o António (de Oliveira Salazar) e outros a necessidade de uma nova revolução.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de Portugal), espero que ao menos tenha a ousadia de convidar quem pode, no caso o seu amigo e homólogo José Eduardo dos Santos, para tomar conta de Portugal.

Platão dizia que "o castigo por não participares na política é acabares por ser governado por quem te é inferior." Pior do que isso, é ser governado por quem é inferior e falido.

No caso de ser o MPLA a colonizar Portugal, ao menos tinham a vantagem de não estarem falidos...

Nunca se esqueçam: para o regime angolano, até prova em contrário todos são... culpados!

Em Angola "vive-se uma democracia com medo", diz o "rapper" angolano Mona Dya Kidi, um dos organizadores da manifestação que está marcada para amanhã, no Largo da Independência, em Luanda.

Falar, no caso de Angola, de democracia com medo é uma forma de branquear a situação, compreensível no contexto de que os angolanos sabem que o regime mata primeiro e pergunta depois. Aliás, se existe medo é porque não existe democracia.

"Angola é uma democracia exercida com medo. A prova disso é que só tivemos 17 pessoas no dia 7. Num país democrático, que tem milhões de problemas, aparecerem 17 pessoas é óbvio que alguma coisa não está bem", disse Mona Dya Kidi, em entrevista à Agência Lusa.

O regime de Eduardo dos Santos, no poder há 32 anos sem nunca ter sido eleito, sabe bem que a melhor forma de exercer a sua “democracia” é ter 70% da população na miséria, é ter tirado a coluna vertebral à esmagadora maioria dos seus opositores políticos, a começar pela UNITA, é dizer ao povo que tem de escolher entre a liberdade um saco de fuba.

Recorde-se, não que isso faça diferença na apatia da comunidade internacional, que mesmo só aparecendo meia dúzia de pessoas na manifestação do dia 7 de Março, todas foram detidas durante algumas horas.

O regime não brinca em serviço e, por isso, nada como preventivamente mostrar aos manifestantes (bem como aos jornalistas presentes) que quem manda é o MPLA.

José Eduardo dos Santos que tem, que ainda tem, a cobertura internacional (comprada, mas tem), sabe que pôr o povo a pensar com a barriga é a melhor forma de o manter calado e quieto.

Aliás, se assim não for o que lhe restará? Provavelmente, “peixe podre, fuba podre, 50 angolares e porrada se refilares”.

Amanhã, a haver manifestação, deverão os angolanos revindicar coisas simples para não chatear o dono do país. Mas não sei se ele vai na cantiga. Defender a liberdade de expressão não é nada do outro mundo, mas é algo que o regime não quer. Tudo quanto envolva a liberdade (com excepção da liberdade para estar de acordo com o regime) é algo que causa alergias graves a Eduardo dos Santos.

Mona Dya Kidi diz que vão “gritar, cantar a nossa dor, reclamar os nossos prantos. Vamos levar cartazes, 'vuvuzelas' e clamar por uma Angola mais democrática, uma Angola mais livre".

Recorde-se, a propósito da anterior manifestação, que Bento Bento, primeiro secretário provincial de Luanda do MPLA, foi claro quando disse: "Quem tentar manifestar-se será neutralizado, porque Angola tem leis e instituições e o bom cidadão cumpre as leis, respeita o país e é patriota."

Apesar da não-manifestação de 7 de Março, mesmo dando como controlada a de amanhã, a verdade é que estas acções fazem tremer o regime. A tal ponto que perante o anúncio da primeira manifestação, o Governo angolano apressou-se a pagar salários em atraso nas Forças Armadas e na Polícia, a fazer promoções em série e a, inclusive, a mandar carradas de alimentos para a casa de milhares de militares.

Basta também ver que, perante essa manifestação, o regime pôs nas rua e por todo o lado – mesmo em locais onde os angolanos nem sabiam que iria haver manifestação – os militares e a polícia a avisar que qualquel apoio popular aos insurrectos significava o regresso da guerra.

No entanto, por muita força que tenha a máquina repressora do regime angolano (e tem-na), por muito apoio que tenha de alguns órgãos de comunicação estrangeiros, como a RTP, nunca conseguirá fazer esquecer que 70% dos engolanos vivem na miséria.

Nunca fará esquecer que apenas um quarto da população angolana tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade, que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos.

Nunca fará esquecer que 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos.

Nunca fará esquecer que a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos, que 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros, que mais de 90% da riqueza nacional privada é subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população, que 70% das exportações angolanas de petróleo tem origem na sua colónia de Cabinda.

Nunca fará esquecer que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

Por tudo isto, a luta continua e a vitória é certa! Pode demorar, mas vai chegar.