terça-feira, dezembro 12, 2006

Mengistu Mariam considerado culpado de genocídio

O ex-ditador etíope Mengistu Haile Mariam foi hoje considerado culpado de genocídio ao fim de 12 anos de julgamento no caso conhecido por "Terror Vermelho", período em que foram executadas mais de 100.000 pessoas. Além do ex-ditador, o Tribunal Supremo Federal da Etiópia condenou ainda outros 11 arguidos no mesmo processo.

Todos os arguidos foram considerados culpados do crime de genocídio, detenção ilegal, homicídio e confiscação de propriedades. O juiz ainda não proferiu a sentença, mas todos os arguidos incorrem na pena de morte.

O ex-líder etíope foi julgado à revelia, dado que está exilado no Zimbabué desde 1991. O Presidente zimbabueano, Robert Mugabe, tem recusado os pedidos de extradição do ex-ditador.

Mengistu Mariam liderou a Etiópia de 1977 a 1991 e o julgamento diz respeito ao período entre 1977 e 1978, que ficou conhecido como "Terror Vermelho", em que os arguidos são acusados de fazer desaparecer ou executar cerca de 100.000 etíopes.

No total, estão a ser julgados 34 antigos elementos do regime de Mengistu Mariam, enquanto outros 27 estão a ser julgados à revelia.

As provas contra o ex-ditador, de 70 anos, incluíram ordens de execução assinadas, vídeos de sessões de tortura e testemunhos.

Mengistu estava entre o grupo de militares que derrubaram através de um golpe de Estado o último imperador da Etiópia, Haile Selassie, em 1974.

Os militares criaram um comité militar, conhecido com Dergue, tendo Mengistu assumido a liderança depois de matar um oficial que pretendia assinar a paz com a Eritreia, na altura a lutar pela independência.

Depois de declarar a Etiópia como uma República Popular Socialista, o ex-ditador tornou-se um aliado da União Soviética, que apoiou o seu regime na luta contra a invasão por parte da Somália.

A guerra com a Eritreia acabou por acontecer e em 1991 os rebeldes estavam já nos arredores da capital, Addis Abeba, quando Mengistu fugiu para o Zimbabué.

Porto Profundo, Ramalde, Teatro,
Cultura e, é claro, Alfredo Correia

O actor Alfredo Correio, encenador da Companhia Teatral de Ramalde, lançou a peça Porto Profundo, com textos adaptados de obras de Hélder Pacheco e que constituiu um bonito espectáculo revivalista das tradições mais genuínas do Porto e das suas gentes. É, é claro que é, um notável contributo à dramaturgia portuguesa e sobretudo portuense.

A obra foi apresentada publicamente na Fundação António de Almeida, no passado dia 20 de Maio, por Júlio Couto, outro notável Homem da cultura da Invicta e Mui Nobre e nem sempre leal cidade do Porto..

Como, desculpo-me, mais vale tarde do que nunca aqui fica a referência.

Neste momento e passados 4 anos da estreia do Porto Profundo decorrem ensaios com a A Pátria das Camélias, segundo o Porto Profundo. Novamente com textos adaptados ao teatro, de Hélder Pacheco, que vai estrear no próximo dia 27 de Janeiro, no Auditório das Paróquia de Ramalde ainda dentro do âmbito do 12º. AMASPORTO que está a decorrer nas instalações do 26 de Janeiro, também em Ramalde.

Na altura do VII AMASPorto escrevi o texto que se segue. O Amasporto mostra mais uma vez, que Ramalde (também) é a Capital do Teatro Associativo. Mostra a quem quer ver, sendo certo “que não há pior cego do que aquele que não quer ver”,começando nos chamados Poderes Públicos e acabando nos Órgãos da Comunicação Social.

Cultura parece ser a arte (assim a entendeu, por exemplo, a Porto 2001) de fazer alguma coisa para os poucos que têm milhões, em vez de ter alguma coisa para os milhões que têm pouco. Ou seja: Há a cultura de elite que os (pseudo) entendidos dizem ser a boa e a cultura popular, que é óbvio, será a má.

Cá para mim não entendo como é possível não ser popular e ser boa cultura.

O Amasporto já demonstrou que o Teatro Associativo é cultura. Por isso é popular.

É claro que os fazedores de opinião (que tantas vezes para contarem até 12 têm de se descalçar) dizem o contrário. E dizem porque são ignorantes. E dizem porque não sabem ( nem procuram saber) a diferença entre a obra prima do Mestre e a prima do mestre de obras.

Admiro a paciência de todos aqueles, que, como é o caso da Companhia Teatral de Ramalde, da Associação 26 de Janeiro, continuam a levar a “Carta a Garcia”, cientes de que são o que são e não são o que os outros querem que eles sejam.

Curvo-me perante eles.

Resta-me a certeza de que se o valor do Amasporto se medisse pelo nível intelectual dos que, em Portugal, definem a cultura... há muito estaria morto e enterrado.

Felizmente, a bem da Cultura, está vivo e com saúde.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Dez anos depois o Alto Hama
fica mais perto do que era perto

A nova ponte sobre o rio Keve, na província Kwanza Sul, inaugurada ontem pelo ministro das Obras Públicas, Higino Carneiro, permitirá uma melhor ligação rodoviária entre o Waco Kungo (Kwanza Sul) e Alto Hama (Huambo), segundo o governante.

Durante o acto, o ministro referiu-se à reabilitação da ponte como uma solução aos problemas como o da circulação de pessoas e bens, não só daqueles munícipes, mas também das províncias do centro sul, nomeadamente o Huambo, Bié, Kundo Kubango, Huíla e Cunene.

Para o director do Instituto de Estrada do Huambo (INEA) Inácio Satambue, com a conclusão das obras terminam os problemas de insegurança na travessia do rio, uma vez que as pessoas tinham de transpô-la através de jangadas.

Orçada em 30 milhões de Euros, a empreitada teve início em Fevereiro de 2005 e esteve adjudicada à empresa de construção civil Conduril. É constituída por uma plataforma de 9,40 metros de largura, tendo uma faixa de rodagem com 7,20 metros, uma via de circulação para cada sentido em ambas as extremidades e 1,10 metros de passeio.

A infra-estrutura é composta por três tramos, apoiados simplesmente com vãos de 21,10 metros, recompondo os destruídos, um de 45,5 e outro de 21,1 metros em betão armado de forma a manter o tipo de estrutura existente. As fundações dos pilares e do encontros são directas, assentes sobre o maciço rochoso.

Para a integral reabilitação da estrutura, foi efectuado o reforço de um pilar (p4) e a substituição de outro(p5). O comprimento total da ponte é de 197,50 metros e a largura completa 9,40. Foram empregues na obra 380 metros cúbicos de terras, 670 metros cúbicos de betão, 103 toneladas de aço e cofragem (moldes para execução das peças de betão armado) de 2995 metros quadrados. Anteriormente a travessia da ponte sobre o rio Keve era efectuada através de uma jangada, com capacidade para 80 toneladas, instalada Setembro de 2002.

A ponte foi destruída há 10 anos. A província do Kwanza-Sul tem doze (12) municípios, designadamente Amboím, Conda, Seles, Ebo, Cassongue, Kibala, Kilenda, Libolo, Mussende, Porto Amboím, Cela e Sumbe.

Fonte: AngolaPress

CPLP discute no Brasil a melhor forma
para tudo continuar (+ ou -) na mesma

Representantes de todos países da CPLP - Comunidade de Países de Língua Portuguesa- reúnem-se quarta e quinta-feira no Rio de Janeiro para debater a difusão de autores da língua portuguesa e políticas de formação de professores e alunos.

Este "Seminário Internacional de Língua Portuguesa e suas Literaturas" é um desdobramento dos temas tratados no Grupo Técnico de Literatura da Comunida de dos Países de Língua Portuguesa e está integrado nas comemorações dos 10 anos da CPLP.

Participarão na abertura do evento os ministros da Educação do Brasil, Angola, Guiné-Bissau e Timor-Leste, respectivamente, Fernando Haddad, António Burity da Silva Neto, Tcherno Djalo e Rosária Maria Corte-Real de Oliveira.

Portugal estará representado por Ana Bela Henrique Pereira Martins, do Ministério da Educação, e Maria Angélica Ribeiro, do Gabinete de Assuntos Europeus e Internacionais do ministério.

Também estarão presentes no seminário o secretário executivo da CPLP, e mbaixador Luís da Fonseca, a directora executiva do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), Amélia Mingas, e o conselheiro cultural da embaixada de Portugal e director do Instituto Camões no Brasil, Adriano Jordão.

Além de debates onde serão analisadas propostas para a difusão de autores clássicos e modernos da CPLP, dentro e fora da própria comunidade, haverá um encontro com escritores de língua portuguesa.

Neste encontro estarão presentes, entre outros, o brasileiro Silviano Santiago, o cabo-verdiano Daniel Espínola e Albertino Homem Bragança, de São Tomé e Príncipe.

E depois, como se verá, seremos obrigados a concluir que – em bom português – a montanha pariu um rato.

Se colher laranjas de um jindungueiro,
então Angola é um regime democrático

O último paragáfo do mais recente comunicado dos delegados da UNITA junto das Comunidades Angolanas no Exterior é a mais siblime definição do que se passa em Angola: “Como ninguém de bom senso pode esperar colher laranjas de um jindungueiro, os angolanos não podem esperar um estado democrático de um regime que pratica sistematicamente métodos autocráticos”. Nem mais.

domingo, dezembro 10, 2006

Aborto? Não, Obrigado! (parte II)

«Confesso que para mim foi uma desilusão este seu post. Sempre me pareceu defensor das liberdades. E a comparação da interrupção da gravidez com o roubo de carros foi de cortar a respiração»; escreve num comentário (inserido no local próprio mas que agora repesco e comento) ao texto anterior, alguém que assina MN.

1 – Por ser defensor das liberdades é que assumo a defesa de quem não o pode fazer de modo próprio. Ou seja, o filho ou filha que começa a dar os primeiros sinais de vida dentro da Mãe. Por ser defensor das liberdades é que estou do lado dos que não têm voz.

2 – Ainda bem que o exemplo do roubo de carros foi de cortar a respiração. Talvez um dia se lembre dele quando for pai ou, talvez, avô.

«Numa sociedade livre não deveriam ser os pais, ou o casal progenitor, aqueles que gerem o orçamento familiar, que decide se naquela altura da vida de ambos têm ou não condições e estabilidade (económicas, psicológicas) para avançar com algo tão importante como gerar um ser?».

3 – Se o exemplo do roubo dos carros é de cortar a respiração, este de colocar no mesmo prato da balança do orçamento familiar, um filho e a compra de uma televisão (por exemplo) não deixa de ser curioso.

«Respeito a sua opinião mas discordo visceralmente. Sempre me pareceu que se batesse por valores de esquerda e liberais, afinal é tão defensor de uma Angola livre, onde os angolanos pudessem fazer as suas escolhas. Parece-me que neste caso defende uma lei bastante opressora, diria mesmo ditadora. Como se eu ou o Sr. Orlando Castro (de quem eu tenho em muita estima) tivéssemos o poder ou a competência para ditar leis de falsos moralismos que atiram casais para a criminalidade.»

4 – Essa coisa de se ter a ideia de que só a Esquerda defende valores da solidariedade e da dignidade não passa de um complexo. Veja-se que a Esquerda está de uma forma geral do lado dos mais fortes, dos que podem decidir. E quem defende os oprimidos, os que por circunstâncias diversas morrem à fome em Angola (enquanto a Esquerda governa) ou que morrem por causa de um aborto?

«Sabemos que existem métodos contraceptivos eficazes (99%) e também sabemos que existe muita informação, mas mesmo assim acontecem acidentes. Vejamos caso a seguir: Você tem 19 anos, vai para fora do seu pais estudar com grandes ambições e muitos planos, aluga um quarto perto da faculdade e divide a casa com uma rapariga que, mais tarde, se torna sua parceira. Um dia surge um frúnculo na axila da sua parceira, faz febre e tem dores, vai a uma urgência e é medicada com antibiótico, o médico que prescreve a receita não adverte que o antibiótico corta o efeito da pílula. Resultado??? Surge uma gravidez indesejada num casal que trabalha para pagar as propinas da faculdade e que vive com carências, numa casa alugada pelos pais que estão em Angola.»

5- Este exemplo é com certeza uma excepção e o que importa é a regra. Mas vamos ao exemplo. O médico que errou ao não alertar para os efeitos do antibiótico passa na história como se nada fosse. Ninguém o vai chatear. A gravidez dificulta a vida do casal que vive com carências. E porque a sociedade não tem, nem quer ter, responsabilidades de solidariedade para com o jovem casal, qual é a solução? Fazer a corda partir pela parte mais fraca. Como sempre. Ou seja, pela filho que, aliás, não tem direitos.

«Como este “acidente” não foi planeado, e como ambos não tinham a certeza de que a relação tinha futuro e porque não se trás um ser ao mundo por “acidente”, sem ter condições para oferecer um lar (pai, mãe, amor, um tecto e comida) decidem abortar, porque acham que eles têm esse direito. Procuram ajuda médica adequada em vários centros mas a resposta é sempre a mesma: É ILEGAL, DIRIJAM-SE A ESPANHA!!! Explicam como ocorreu a gravidez e a resposta é: TEMOS PENA, É ILEGAL DIRIJAM-SE A ESPANHA!!! Conclusão: Falta-se as aulas, fazem-se umas horas extras para ter dinheiro e ir a Espanha pagar 600,00€ por um aborto.»

6 – Quem falou de acidente, mesmo que entre aspas, foi o leitor. Eu sei que é um drama. Mas, como em qualquer acidente, há sempre responsáveis. Se não há, devia haver. Mas como é mais simples, reconheço, atirar o lixo para debaixo do tapete, opta-se pela forma mais simples e mais cobarde. Castigar quem não tem direito de defesa. Se a nossa sociedade só fosse constituída por filhos “programados”, por filhos “feitos” à luz das condições essenciais de vida, certamente teríamos muito poucos habitantes.

«Entramos em colisão com o sistema e com os nossos valores morais porque, acredite, não se toma essa decisão de ânimo leve. Não se faz por prazer como os do “NÃO” querem fazer crer.»

7 – Eu também não digo que o façam por prazer. Digo que o fazem por cobardia da sociedade e das partes (onde me incluo) envolvidas. Da sociedade que apenas quer dar o peixe porque é mais simples e cómodo do que ensinar a pescar.

«Pergunto: Sou criminoso??? Deveria um de nós (ou ambos) interromper os estudos e todos os planos, todas as esperanças dos pais que estão em Angola e que investem as poupanças nos filhos para trazer ao mundo e sustentar essa criança??? Deveria trazer essa criança ao Mundo e entregar aos cuidados do estado que não permite o aborto??? Deveria trazer essa criança ao Mundo e entregar ao cuidado do médico que receitou o antibiótico? Talvez devesse trazer essa criança ao Mundo e entrega-la ao cuidado de todos aqueles que são a favor do NÃO a interrupção da gravidez.»

8 – Se é ou não criminoso, nesta matéria, é uma questão de consciência que muitas vezes ao olhar para o espelho saberá a resposta. Uma coisa importa reter, você e todos os outros que pensam da mesma maneira estão a usar um direito que negam a alguns. O direito à vida. Se mesmo assim, quando olha para os seus pais ou quando olha para dentro de si entende que fez bem, não há nada a fazer. Quem já nasceu tem esse privilégio.

«Que faria se a sua filha de 15 anos aparecesse grávida do namorado de 16? Você cometia o crime de hipotecar o futuro desses 3 seres, dois jovens na puberdade e um bebe fruto de uma paixão de quem está a conhecer e a explorar o corpo humano agora? Por favor deixem-se de falsos moralismos e votem SIM!!!».

9 - O que chama de falsos moralismo é para mim uma questão de honra. Honra de um Pai de três filhos e de um Avô de uma neta. Honra por ser a favor da vida, honra por não querer para os outros o que não quero para mim. Um filho, mesmo que não programado, mesmo que fruto de uma paixão de dois jovens na puberdade, nunca hipoteca o futuro. Pelo contrário. Essa é a diferença entre o “sim” e o “não”.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Aborto? Não, Obrigado!

Tal como no referendo anterior, a sociedade portuguesa mobiliza-se para discutir a questão do aborto, rotulada de interrupção voluntária da gravidez para que, creio, todos percebam melhor. Uns, os que já nasceram, não têm problemas em ser a favor do “sim”, a favor de uma lei que sabem nunca os atingir. Os outros, os do “não”, onde me incluo, não querem para os outros o que não querem para eles. Ou seja, se eu tive direito à vida… todos os outros devem ter o mesmo direito.

A tudo isto acresce que defender o “sim” é a mais pura e paradigmática forma de cobardia. Ou seja, se a sociedade não consegue dar condições de vida (aos pais, mas sobretudo às mães), então mate-se quem não tem direito de defesa.

Noutro patamar, seria mais ou menos como a sociedade não ter capacidade para combater o roubo de carros e, para resolver a questão, decidisse legalizar essa actividade, descriminalizando os autores.

Eu sei que, para muitos socialistas, sociais-democratas, comunistas e afins é mais fácil dizer a uma mãe que pode e deve abortar do que lhe dar condições de dignidade que lhe permitam criar o filho. Para mim isso é cobardia e aceitação da falência de uma sociedade solidária e digna.

Por isso: Aborto? Não, Obrigado!

(Se calhar, já que a legalização do aborto não tem efeitos retroactivos – é pena! -, a melhor forma de nos vermos livres de futuros políticos medíocres como os que agora proliferam por aí seria votar “sim”. Mesmo assim… voto “Não”).

Nota: Até ao referendo este texto terá direito à vida. Volta e meia estará por aqui.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Barriga cheia

"Mais acertado esteve o Governo ao anunciar que vai acabar com o regime especial de saúde de que beneficiam os jornalistas. Esta posição, ultraminoritária entre os jornalistas, é tomada em consciência e não por, pessoalmente, beneficiar de um salário mais elevado do que a média ou de o meu jornal incluir entre os seus benefícios sociais um seguro de saúde" (José Manuel Fernandes, directo do jornal Público, na edição de 21 de Novembro, em editorial, referindo-se ao fim da caixa de previdência dos jornalistas.Como se prova, é fácil ser liberal quando se está de barriga cheia e costas aquecidas).

Belas palavras de um jornalista que também é administrador da empresa em que trabalha, e que, enquanto director do jornal, quando confrontado com a decisão da empresa - em que se calhar até participou - de despedir mais de meia centena de jornalistas, reagiu, condoído e solidário, com uma cartinha a lamentar o inevitável. Ele lá continua, com o tal salário "acima da média" e um "seguro de saúde" - que não tarda, cá como nos EUA, será obrigatório para atendimento no (moribundo) Sistema Nacional de Saúde (SNS), esse projecto de Fénix que renascerá das cinzas como o SPS (Serviço Pago, ou Privado, como queiram, de Saúde).

Na saga, apoiada por JMF, de acabar com os "privilegiados", o Governo está simplesmente a nivelar o país por baixo. Em vez de acabar com os supostos "privilégios" dos magistrados, dos polícias e dos jornalistas, o Governo, que tem a obrigação, moral, histórica e constitucional de zelar pelo bem dos cidadãos, deveria era pugnar pelo aumento dos "privilégios" dos restantes cidadãos.

Já agora, senhor JMF, escreva lá qualquer coisa sobre a ADSE, o sistema próprio de deduções dos funcionários públicos. E, senhor ministro, este privilégio não acaba também? Ou somos todos cidadãos de segunda ou ainda restarão privilegiados?

In http://atascadobelmiro.blogspot.com/

“Jobs for the boys” ou ou há sempre
um tacho para um bom ex-assessor

Se os nomes, e sobretudo as filiações partidárias, tiverem algum valor especial para os portugueses, nomeadamente para os que (sobre)vivem neste quintal à beira mar (re)plantado, então este Governo (tal como os anteriores) deu uma (mais uma) prova de que, afinal, a tradição continua a ser o que era e que, como ontem, os "jobs" são para os "boys", os génios são menos importantes do que os néscios desde que estes tenham cartão do partido.

E enquanto isso vamos vendo licenciados a guiar táxis, a fazer embrulhos em lojas de roupa ou a servir às mesas nos cafés do país.

O Governo simulou que queria alterar o (mau) estado das coisas mas, mais uma vez, foi mais a parra do que a uva. Mais o acessório do que o essencial. Mais o socialismo do que o realismo. Mais a embalagem do que o produto.

Com algumas raras excepções, estacionou peças fundamentais na comunicação social e avisou, mesmo que de forma camuflada, que mais vale ser um propagandista de barriga cheia do que um ilustre Jornalista com ela vazia.

Alguns (muito poucos) ainda quiseram saber algo mais. No entanto, foram confrontados pelos que sabem tudo (embora raramente façam melhor) e que, como John Kennedy, disseram: "É a altura, não de perguntar aquilo que o Governo pode fazer por nós, mas aquilo que todos podemos fazer pelo Governo".

(A tradução da frase de Kennedy para português socrático é : "quem pode manda")

É claro (para mim - entenda-se) que este Governo (ao contrário dos leves e iniciais indícios) está-se nas tintas para os portugueses em geral e para os Jornalistas não socialistas em particular.

Porquê? Porque, cada vez mais, os Jornalistas sabem que é sempre possível ter um cartão do partido no meio de tantos outros, mesmo que a validade seja curta. É que, se não for nos jornais, haverá sempre um lugar como assessor.

Como diz Inês Pedrosa, "temos cada vez mais jornalistas que saltam das redacções para se tornarem criados de luxo do poder vigente".

E, é claro, depois dessa rodagem há sempre a possibilidade de ver criados saltarem do poder, seja ele socialistas ou social-democrata, para serem sobas de jornais.

Enquanto uns fazem, outros simulam

Quando toca a defender a língua nada há como os ingleses, os espanhóis e os franceses. Até alemães e russos e, agora, árabes não brincam em serviço. Basta ver como o éter está cheio de satélites unicamente para transmitir canais televisivos nessas línguas. E apesar de estar cheio, ainda não estão satisfeitos. Além do éter utilizam sem a mínima mornidão os dinâmicos Centros Culturais – basta recordar os Institutos Britânico e Cervantes ou os Centros Culturais Franceses – para mostrar quão viva estão as suas línguas.

Por Eugénio Costa Almeida
In: http://pululu.blogspot.com

Ao contrário de outra que, por acaso, é a segunda ou terceira língua mais falada do Planeta. Teorias!

E como não estão satisfeitos, os franceses passaram a emitir, desde ontem, um novo canal de informação internacional contínua, o France 24; com este novo canal os franceses desejam assegurar uma maior cobertura da actualidade africana.

Pois é!

Uns fazem, outros simulam que têm um canal para África onde a maior parte dos programas são resquícios de outros já transmitidos em Portugal ou alguns pseudo-programas culturais emitidos em simultâneo para África e Portugal (e também para o canal internacional) cujo conteúdo, em muito, deixa a desejar e nada tem de orientador ou culturalmente adquirível pelas culturas africanas.

Senhores directores da RTP para espalhar a nacional-cultura portuguesa vocês têm um canal próprio: RTP Internacional.

Deixem a RTP África para os assuntos africanos ou que a África diga respeito. Não nos basta ver uma meia-hora de um pequeno jornal “Repórter”, ou saber como se fazem alguns pratos típicos africanos ou qual a música do momento ou ter um excelente programa – retransmitido com quase seis meses de atraso – como o Kandandu ou, ainda, algum pequeno tempo de antena para alguns desportos afro-lusófonos (em regra o futebol e pouco mais); nem nos chega o excelente programa que é o África Global.

Queremos muito mais.

África tem muito para mostrar. Muito do bom – felizmente o que temos mais – mas, também, o que de mau se lá passa, nomeadamente corrupção, compadrio, má-governação, etc. e sua divulgação pode ajudar a acabar, ou minorar, os seus efeitos nas populações.Por isso não surpreende que o francês e o inglês estejam paulatinamente, a se sobrepor ao português em países como a Guiné-Bissau e Moçambique.

E não me venham dizer que se deve à sua posição geo-estratégica.

Digam antes que há pouca vontade política de acabar com o pseudo-neocolonialismo tão intrínseco na esquerda portuguesa.

A esquerda portuguesa é capitalista mas como não reconhece o direito à iniciativa privada não permite que o canal para África seja realmente um canal para África e gerido em equitativa posição pelas televisões dos países afro-lusófonos.

Até lá vamos vendo uns a desenvolver e espalhar a sua língua sem amordaçar as culturas locais e outros vão fazendo de conta que têm um canal de união, mas que, na prática...Por favor, deixem de gozar com a nossa chipala.

Nota do Alto Hama: Faço minhas as palavras de Eugénio Costa Almeida