segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Não basta ser político para ser... educado!

Diz, e muito bem, o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, que “não basta ser rico para ser bem educado”. O mesmo se aplica, presumo, aos ministros, aos jornalistas, aos deputados, entre outros.

Um país que tem um primeiro-ministro (José Sócrates) que se vira para um deputado e diz: "Manso é a tua tia, pá!"; que teve um ministro da economia (Manuel Pinho) que faz uns cornos para outro deputado; que tem um deputado (Ricardo Rodrigues, foto) que rouba – ele chama-lhe “tomar posse” – os gravadores aos jornalistas que o entrevistavam... não é com certeza um país de gente bem educada.

Recordam-se, por exemplo, da primeira audição da Comissão Parlamentar de Saúde, em 9 de Dezembro de 2009, ter ficado marcada pela troca de ofensas entre os deputados Maria José Nogueira Pinto (PSD) e Ricardo Gonçalves (PS)? Pois é, não basta ser deputado para ser bem educado.

Nessa audição, num estilo socialista que está a fazer escola (há notícias de que poderá ser exportado para o Burkina Faso), o deputado Ricardo Gonçalves, professor de Filosofia eleito por Braga, motivou a irritação de Maria José Nogueira Pinto, que o apelidou de "palhaço".

Se calhar basta ser palhaço para ser bem educado. Já para ser deputado, ao que parece, qualquer coisa serve.

No meio da palhaçada que por norma são as comissões de inquérito, a deputada disse que "não sabia que tinham contratado um palhaço" para a Comissão Parlamentar de Saúde.

Em resposta, Ricardo Gonçalves teceu comentários sobre a troca de cor política por parte de Maria José Nogueira Pinto, coisa que – convenhamos – nunca existiu no PS... ao que parece.

“Não fiquei ofendido com a afirmação da deputada Maria José Nogueira Pinto. A senhora está sempre a mudar de partido. Vende-se por qualquer preço e chamar-me palhaço considero um elogio porque são muito importantes por esta altura do Natal”, disse então Ricardo Gonçalves.

Crê-se, aliás, que terá sido esta brilhante actuação de Ricardo... Gonçalves, embora num palco secundário do prostíbulo-mor, que terá motivado a veia cómica (mas igualmente criminal) de Ricardo... Rodrigues.

E se, na minha opinião, chamar palhaços a alguns deputados é grave (por ofensa directa aos verdadeiros palhaços), dizer que a deputada (“vende-se por qualquer preço”) é uma prostituta – mesmo que seja na versão “soft” de cariz intelectual – já não me parece tão grave dado o contexto prostibular em que (con)vivem alguns deputados.

Se calhar, digo eu do alto da minha ingenuidade e certamente má educação, os deputados do prostíbulo (outrora chamado de Parlamento) apenas seguem os exemplos dos mais altos representantes do bacanal colectivo que, no mesmo local, falaram de “espionagem política”, “sujeira”, “coscuvilhice” e “política de fechadura”...

Ao que parece, José Sócrates perdeu uma oportunidade, mais uma, para estar calado. É que não basta ter à sua volta os amplificadores da propaganda (muitos deles com carteira profissional de jornalista) para se ser bem educado.

Por alguma razão já Eça de Queiroz dizia que “os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão”.

Cabinda e a (portuguesa) RDP/África

No dia 22 de Novembro do ano passado publiquei no Notícias Lusófonas um texto intituado «Regime de Angola aperta o cerco a todos os que falam de Cabinda».

Nele dizia que «em vários países, nomeadamente em Portugal, os serviços do MPLA estavam a apertar o cerco aos jornalistas, seja por ameaças físicas ou pelas tentativas de suborno».

Três dias depois fui contactado por uma jornalista da RDP/África. Cristina Magalhães, jornalista da RDP/África, dizia-me que tinha lido o artigo sobre Cabinda e que queria falar comigo sobre o assunto.

Para além de lhe fornecer, no mesmo dia, todos os meus contactos, falei com ela ao telefone disponibilizando-me para conversar sobre o assunto.

Nesse texto publicado no NL afirmei (o que mantenho) que segundo o regime angolano urgia não só calar os jornalistas que mais atentos estão à questão, como evitar que de Cabinda saiam informações sobre as acções militares e policias que já estavam agendadas e que poderia ser desencadeadas a todo o momento.

Acrescentava igualmente que vários jornalistas que trabalham fora de Angola foram e estão a ser contactados por mandatários do regime angolano, sendo-lhe transmitidas duas soluções: “Quanto querem para deixar de falar de Cabinda” e “Ou deixam de falar de Cabinda ou a vossa integridade física corre sérios riscos”.

Mandatários esses que acrescentavam que “dinheiro não é problema”, reforçando que “também o resto não é problema”.

Acontece que até agora nunca mais fui contactado. Não é, aliás, de estranhar. Os critérios editoriais dos donos dos jornalistas e dos donos dos donos servem exactamente para isso. Confesso que estranhei o contacto, desde logo porque não estava, nem estou, a ver a RDP/África a fazer algum trabalho que possa desagradar aos donos do poder, estejam eles em Luanda ou em Lisboa.

Mas esta história, triste para o Jornalismo mas lucrativa para quem dele se serve em vez de o servir, não é nova e tem outros protagonistas.

Já no dia 12 de Outubro de 2007, já lá vai um tempito mas o conteúdo é o mesmo, a jornalista Isabel Guerreiro, do semanário português “O Diabo”, resolveu fazer-me, por escrito, três perguntas a propósito da Imprensa angolana.

Na altura perguntei à jornalista se, como é habitual quando se escreve o que não é esperado por quem manda (os tais critérios editoriais), não haveria o risco de as respostas serem enviadas directamente para a reciclagem.

Garantiu-me que não. Também eu quis acreditar que não. Mas a verdade é que as respostas nunca foram publicadas. E assim, cantando e rindo, vão as ocidentais praias lusitanas. Sempre satisfazendo os donos dos jornalistas e os donos dos donos. A bem, é claro, da Nação.

Os líderes prometeram era histórica
mas o povo não foi nessas cantigas!

A segunda Cimeira UE/África aprovou em Lisboa (Dezembro de 2007) uma "estratégia conjunta" que deveria permitir a 27 países europeus e a 53 nações africanas uma era sem precedentes nas suas relações políticas, económicas e comerciais.

Naquela que foi então a maior reunião política de alto-nível jamais realizada em Portugal e na Europa, a Cimeira, que reuniu 80 chefes de Estado e/ou de Governo europeus e africanos adoptou uma Parceria Estratégica que regularia, a longo prazo, as relações entre os dois continentes.

Os líderes da UE e de África aprovaram ainda o primeiro Plano de Acção, com projectos a executar, no curto prazo (2008-2010), entre os dois continentes, o qual previa mecanismos de controlo de aplicação e de acompanhamento.

Na designada Declaração de Lisboa, os líderes dos dois blocos afirmam que a "estratégia conjunta" deveria assentar nos princípios "da unidade de África, da interdependência de África e da Europa, da responsabilidade conjunta, do respeito pelos direitos do homem, dos princípios democráticos e do Estado de direito, bem como do direito ao desenvolvimento".

A nova estratégia euro-africana de Lisboa identificou oito parcerias prioritárias a desenvolver até à Cimeira seguinye: "Paz e Segurança", "Governação Democrática e Direitos do Homem", "Comércio e Integração Regional", "Objectivos do Milénio para o Desenvolvimento", "Energia", "Alterações Climáticas", "Migração, Mobilidade e Emprego" e "Ciência, Sociedade de Informação e Espaço".

Além da ambição conjunta de estabelecer uma nova parceria, "de igual para igual", entre os países da Europa e as suas antigas colónias de África, a Cimeira de Lisboa ficou também marcada por divergências entre os dois continentes, nomeadamente em torno das negociações em curso de novos acordos comerciais entre os dois blocos e da presença na reunião do presidente do Zimbabué, Robert Mugabe.

A realização da segunda Cimeira euro-africana foi uma das três grandes prioridades da então presidência portuguesa da UE.

Desde a última cimeira UE/África, em 2007, a União Europeia já investiu mil milhões de euros em segurança no continente africano, segundo afirmou José Briosa e Gala, consultor de Durão Barroso para os assuntos africanos

"Desde a cimeira de Lisboa até agora (Novembro de 2010), a UE despendeu 1 bilião de euros no continente africano na área da segurança. Isto envolve apoio às operações de paz, treino, criação de condições e luta contra o terrorismo", disse, em entrevista à agência Lusa, o ex-secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros dos Governos de Cavaco Silva.

Segundo Briosa e Gala "há hoje uma bem desenhada configuração de segurança ao nível da União Africana, (...) que tem vários dispositivos, mecanismos e componentes" e da qual "a UE é o parceiro mais firme e mais presente".

A segurança continuará a ser, segundo o responsável, "uma área fundamental da cooperação, a nível político (entre os dois blocos)". E sublinhava que "nenhuma área geopolítica do globo tem desempenhado um papel tão útil nesta relação com África como a Europa".

Recordando o início dos anos de 1990 e as "crises gravíssimas" do Ruanda e do Burundi, Briosa e Gala referiu que hoje também há crises, "mas a conflitualidade diminuiu 50%, segundo dados estatísticos". "Efectivamente há situações ainda graves e preocupantes, (...) a Somália, o Sudão e outras, mas no global a situação melhorou", realça.

Relativamente à crescente influência do Islamismo em África, considerava que "é um tema sensível e convém não haver confusões. Temos perfeitamente conhecimento de que há forças religiosas, que se reclamam do islão, que têm um papel extremamente positivo em África de criação de infra-estruturas, de escolas de estabelecimentos sanitários. Não podemos pôr tudo no mesmo saco".

No entanto, e "é evidente que estamos conscientes de que existe um perigo, que há forças infiltradas, trabalharemos nesses dossiers em sede própria, e vamo-nos reunir ali (em Tripoli) concentrados para criar riqueza e desenvolver as sociedades", rematou.

Pois é. Nada como projectar o melhor, esperar o pior e aceitar de ânimo igual o que os donos do mundo quiserem....

Depois de Espanha e Espanha, Portugal passou para o Norte de África. E agora?

Os países do Norte de África são para Portugal uma prioridade política e económica. Quem o disse foi José Sócrates, num discurso na capital da Tunísia em 22 de Março de 2010. E agora?

José Sócrates, que discursava na cerimónia de encerramento do Fórum Económico Luso-Tunisino, esforçou-se por fazer passar a ideia de que a política externa portuguesa e a diplomacia económica têm na Tunísia, em Marrocos, na Líbia e na Argélia uma nova prioridade.

O primeiro-ministro justificou: “que fique claro a toda a opinião pública portuguesa que Portugal atribui à relação com os países do Norte de África uma prioridade política indiscutível”.

Mais tarde, Sócrates insistiu no tema, prometendo apelar aos empresários portugueses para que invistam na Tunísia, “uma economia que merece toda a confiança, com estabilidade política, com regras claras e, em particular, com um quadro regulatório que incentiva o negócio e que melhora as condições para desenvolver os negócios”.

“É altura para vos dizer que queremos transformar o Norte de África, e a Tunísia em particular, numa prioridade para a nossa economia”, acrescentou o primeiro-ministro, reiterando a confiança do Governo português “numa economia que tem ambição e que quer ser uma economia moderna e aberta”.

Lembrando que as empresas portuguesas empregam cerca de quatro mil pessoas na Tunísia - sobretudo nas unidades locais das cimenteiras Cimpor e Secil -, Sócrates destacou a melhoria das relações diplomáticas entre Lisboa e Tunes.

O primeiro-ministro tunisino, Mohamed Ghannouchi (na foto com José Sócrates), apresentou também no Fórum Económico Luso-Tunisino as obras que o executivo local prevê realizar e que disse serem oportunidades para as empresas portuguesas, nomeadamente o investimento de 700 milhões de euros no sector das águas, a construção de duas centrais energéticas com componente de energias renováveis e a construção de dois troços de autoestrada.

“Portugal é um pais parceiro, com uma parceria que se reforça a cada ano, como o demonstra o aumento das trocas comerciais e do fluxo de turistas”, disse Mohamed Ghannouchi, que chegou mesmo a afirmar que o esforço de desenvolvimento de Portugal “é um modelo para a Tunísia”.

Já na Argélia, onde na altura esteve algumas horas para uma reunião de trabalho com o primeiro-ministro e o presidente da República locais, Sócrates fez também questão de demonstrar confiança nas autoridades argelinas e de incentivar os empresários portugueses a investirem, para tentar alterar uma “relação comercial que, ao longo da última década, sempre foi desequilibrada”.

“Portugal tem confiança na economia argelina e na condução da economia pelo governo argelino”, disse Sócrates, numa conferência sobre energias renováveis, em Argel, antes de garantir às autoridades locais que “todas as empresas portuguesas têm competência e capacidade para responder a qualquer necessidade da economia argelina”.

No encontro, o primeiro-ministro argelino apresentou aos empresários portugueses o plano de investimento público para os próximos anos, no valor de milhares de milhões de dólares, sugerindo que as empresas portuguesas concorram em parceria com congéneres argelinas.

E agora, senhor primeiro-ministro? Eu sei, utilizando aliás as suas recentes palavras, que não basta ser jornalista para fazer perguntas bem educadas. Mas, já agora, era bom saber para onde se vai virar.

domingo, fevereiro 20, 2011

Toca a bajular quem ainda está no poder!

O primeiro-ministro das ocidentais praias lusitanas a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos, José Sócrates, está a ver reduzido o número de ditadores e autocratas a quem gosta de bajular.

Uns foram à vida, outros para se manterem estão a violar ainda mais as regras (que tanto agradam a José Sócrates) do quero, posso e mando, outros estão com a barba de molho.

E tudo isto deve ser uma chatice para o ainda sumo pontífice dos socialistas portugueses. Mesmo assim, há alguns que ainda resistem. Um desses paradigmas é o actual líder do país (Angola) que preside à Comunidade de Países de Língua Portuguesa e que, como prova da democraticidade do seu regime, está no poder há 31 anos sem ter sido eleito.

Ainda não há muito tempo (foi, é claro, antes do vendaval que atingiu a Tunísia, o Egipto, a Líbia e mais uns tantos), José Sócrates enviou uma mensagem ao vice-Presidente da República de Angola, Fernando da Piedade Dias dos Santos, a felicitá-lo pela sua nomeação para o cargo.

A mensagem foi na altura entregue ao vice-Presidente angolano pelo embaixador de Portugal em Angola, Francisco Ribeiro Telles, que classificou as relações entre os dois países como "excelentes".

Eu diria bem mais do que excelentes... na óptica da Oferta Pública de Aquisição lançada por Angola sobre Portugal.

Tão excelentes como os 68% (68 em cada 100) de angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem pouco depois com fome.

Tão excelentes como o facto de 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos.

Tão excelentes como Angola ser um dos países mais corruptos do mundo.

Tão excelentes como a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, ser o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos.

Tão excelentes como o facto de 80% do Produto Interno Bruto ser produzido por estrangeiros; mais de 90% da riqueza nacional privada ser subtraída do erário público e estar concentrada em menos de 0,5% de uma população.

Tão excelentes como a certeza de que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, estar limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

No dia 18 de Janeiro do ano passado, importa recordar tantas vezes quantas forem preciso, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros do executivo de José Sócrates, João Gomes Cravinho, afirmou que o Governo acompanhava com a «atenção normal» a situação de Cabinda, defendendo que o importante é a detenção de responsáveis de ataques criminosos.

Não está nada mal. Até parece que, para os donos do reino lusitano, falar de Cabinda ou de Zoundwéogo é exactamente a mesma coisa. Lisboa esquece-se que os cabindas, tal como os angolanos, não têm culpa que as autoridades portugueses tenham, em 1975, varrido a merda para debaixo do tapete.

Quando interrogado sobre se o Governo português considerava preocupantes as notícias de detenções de figuras alegadamente ligadas ao movimento independentista na colónia angolana de Cabinda, João Gomes Cravinho afirmou que «preocupante é quando há instabilidade e violência, como aconteceu com o ataque ao autocarro da equipa do Togo» a 8 de Janeiro de 2010.

Sim, é isso aí. Portanto, o MPLA pode prender quem muito bem quiser (e quer todos aqueles que pensam de maneira diferente) que terá, como é óbvio, o apoio e a solidariedade das autoridades portuguesas.

Creio, aliás, que tal como fez em relação a Jonas Savimbi depois de este ter morrido, Gomes Cravinho não tardará (provavelmente só está à espera que eles morram) a chamar Hitler, entre outros, a Raul Tati, Francisco Luemba, Belchior Lanso Tati, Jorge Casimiro Congo, Agostinho Chicaia, Martinho Nombo e Raul Danda.

João Gomes Cravinho explicou que, «em relação ao mais» Lisboa acompanha o que se passa «pelas vias normais», isto é, pela comunicação social e pelos relatos feitos pela embaixada portuguesa.

Ou seja, Portugal está-se nas tintas. E quando Cravinho diz que Lisboa acompanha o que se passa pelos relatos feitos pela embaixada portuguesa está a esquecer-se que a embaixada lusa se limita, hoje como ontem, a ampliar a versão oficial do regime angolano.

Como se já não bastasse a bajulação de Lisboa ao regime angolano, ainda temos de assistir à constante passagem de atestados de menoridade e estupidez aos portugueses por parte do secretário de Estado João Gomes Cravinho.

Parafraseando José Sócrates, não basta ser primeiro-ministro ou secretário de Estado para saber contar até doze sem ter de se descalçar...

Kadhafi não tem dúvidas ao pensar: “Se ontem e hoje fui bestial, não quero amanhã ser besta”

As autoridades líbias, que é como quem diz Muammar Kadhafi, convocaram um representante da União Europeia em Tripoli e ameaçaram parar de cooperar na luta contra a imigração ilegal se a UE continuar a "encorajar" manifestações no país, anunciou hoje a presidência húngara.

A Líbia tem aliás, outros trunfos na manga. E Kadhafi não manda dizer o que de facto quer. Diz ele próprio. Recordam-se daquilo que o líder líbio disse do TPI – Tribunal Penal Internacional? Disse apenas que esse tribunal representa “uma nova forma de terrorismo mundial”.

“É conhecido que todos os países do terceiro mundo se opõem a este denominado Tribunal Penal Internacional. A menos que todos sejam tratados de forma igual, isso não funcionará”, declarou Kadhafi, na altura presidente da União Africana.

“É o caso agora. Esse tribunal é contra os países que foram colonizados no passado e que (os ocidentais) querem voltar a colonizar. Trata-se da prática de um novo terrorismo mundial”, considerou.

“Não é justo que um presidente seja detido”, precisou o líder líbio que se referia ao mandado de captura emitido a 4 de Março de 2009 pelo TPI contra o presidente sudanês, Omar el-Béchir, por suspeita de crimes de guerra e crimes contra a humanidade no Darfur, oeste do Sudão.

“Se autorizarmos uma tal coisa, que um presidente seja detido e julgado, como o presidente el-Béchir, deveríamos também julgar aqueles que mataram centenas, milhões de crianças no Iraque e em Gaza”, sublinhou o responsável líbio.

Voltemos à actualidade. Todos os representantes europeus em Tripoli receberam a mesma mensagem que, desde logo, é um protesto contra o apelo feito na quarta-feira pela chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, ao respeito da "livre expressão" no país, confrontado com uma vaga de contestação sem precedentes desde a chegada ao poder de Muammar Kadhafi, há mais de 40 anos.

As manifestações que ocorrem desde terça-feira na Líbia têm sido reprimidas com violência e já causaram pelo menos 173 mortos, segundo a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, que cita fontes hospitalares.

Seja como for, Kadhafi sempre mostrou o que era, o que é e o que quer ser. Já em 2001, o líder da Líbia apresentou a solução (eventualmente, admito, retirada dos manuais do MPLA) para o problema do Zimbabué e de todos os países africanos. Nada mais do que expulsar todos os brancos de África e ocupar as suas terras.

Kadhafi, que nesse ano visitou o Zimbabué, exortou os zimbabueanos negros e os africanos em geral a correrem com os brancos do continente e a só pararem se estes aceitarem transformar-se em criados. Nem mais, nem menos.

Recorde-se que, em 2001, cerca de 1.700 fazendas pertencentes a brancos foram ocupadas desde que Mugabe exortou os chamados antigos combatentes a ignorarem a lei e as ordens dos tribunais e a apropriarem-se de terras.

O executivo zimbabueano já tinha então referenciado para nacionalização sem compensação cerca de 5.000 fazendas de brancos (95% do total).

(Consta, entretanto, que o executivo socialistas de José Sócrates terá solicitado a Kadhafi uma ajuda técnica para resolver a crise portuguesa. O líder líbio terá sugerido que só tivessem direito a uma vida digna os que fossem filiados no partido....)

E, já agora, recorde-se que o programa em Portugal do coronel Kadhafi, o proprietário e único accionista da Grande Jamahiriyah Socialista Popular da Líbia Árabe (ou coisa que o valha) não se limitou à então Cimeira UE/África.

Dólares e euros continuaram, como continuam, a ser mais importantes e, por isso, aproveitou a presença na capital do reino do seu amigo José Sócrates para tratar de negócios no caso, entre outros parceiros, como a Galp, Cimpor e Visabeira.

Na sua libiana tenda, instalada no Forte de São Julião da Barra, em Oeiras, Kadhafi recebeu a visita da comunidade africana residente em Portugal. Assim, por exemplo, lá estiveram elementos de Angola criteriosamente seleccionados. Ou seja, os que eram afectos ao MPLA.

“Se ontem e hoje fui bestial, não quero amanhã ser besta”, parece pensar Muammar Kadhafi. E pensa bem.

Legenda: Muammar Kadhafi é o da... direita

Ditadores de todo mundo (des) uni-vos

"(...) Tenho sido, ao longo de mais de 35 anos, um cidadão impotente. Impotente ante o rumo de um território que acreditei e ajudei a proclamar, nos idos de 1975. Impotente por não conseguir mobilizar a juventude, para reivindicar um rumo diferente do país.

Impotente por me conformar com o estado de pobreza a que estamos votados, por uma minoria que tem os milhões de dólares dos milhões de famintos, que fecham a boca, ao invés de as abrir e gritar por comida, ante a fome, que campeia em gente que respira e anda a pé com menos de 1 dólar/dia, quando os poucos felizes (happy few) já não vivem com menos de 1000 dólares/dia."

Vale mesmo a pena ler: http://folha8.blogspot.com/

Amigos de Sócrates não brincam em serviço

A polícia chinesa dispersou hoje uma manifestação, no centro de Pequim, que tinha com objectivo colocar em marcha uma outra 'revolução do jasmim', como a que decorre nos países árabes. O protesto terá sido convocado através Internet, o que motivou o bloqueio da palavra "jasmim" na rede.

Se José Sócrates lesse o Alto Hama diria, a porpósito do título deste texto, algo semelhante ao que disse comentando as palavras de Alexandre Soares dos Santos, presidente da Jerónimo Martins: “Não basta ser jornalista para ser bem educado”.

A agência de notícias Xinhua confirmou que várias dezenas de pessoas se concentraram na rua de Wangfujing, numa importante área comercial, situada a poucos metros da praça Tiananmen, onde decorreram as célebres manifestações pela democracia em 1989.

Trata-se do primeiro protesto na China desde que tiveram início as manifestações pela democracia e melhores condições de vida (a revolução do jasmim) nos países árabes, que já provocaram a queda dos governos da Tunísia e do Egipto.

Quinze activistas dos direitos humanos estão desaparecidos na China, desde sábado, segundo informaram seus familiares, que acreditam que aqueles estão presos.

"Muitos defensores dos direitos humanos desapareceram (sob custódia da polícia) nos últimos dias, alguns são enviados para suas casas e os seus telemóveis estão bloqueados", disse à AFP a advogada e activista dos direitos humanos Ni Yulan.

Muitas chamadas telefónicas a vários activistas dos direitos humanos, incluindo Teng Biao, Xu Zhiyong e Jiang Tianyong, ficaram hoje sem resposta.

Desde que começaram os problemas na Tunísia, que levou à queda do governo, as autoridades chinesas têm tentado limitar a divulgação das manifestações nos países árabes.

Mas nada disto, na China ou na Líbia, merece qualquer comentário de Portugal. Sócrates é bem educado e não esquece que a China emprestou muito dinheiro a Portugal e tem elogiado a governação socialista.

Os amigos, sejam da Venezuela, da Líbia ou de Angola servem exactamente para isso. Custos? Haverá muitos, mas como são outros que vão pagar a factura...

A ajuda da China não é, nem poderia ser, inocente. Para além dos juros propriamente ditos, Portugal terá de pagar também em “géneros” de outro nível. É que os chineses não brincam em serviço, e Hu Jintao não é uma espécie de Hugo Chávez.

Assim, para melhor entrar na Europa, a China aposta em força nas empresas lusas consideradas estratégica, tal como vai aproveitar a boleia (ou impor a boleia) para dominar ainda mais sectores estratégicos na África lusófona, sobretudo em Angola e Moçambique.

O facto de Portugal estar de mão estendida na mesma altura em que faz parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas é, igualmente, um trunfo político que agrada à China. Como só não teme quem não deve, Portugal deve tanto que vai fazer (quase) tudo o que os seus credores mandarem.

Para além de comprar dívida portuguesa, a China aparece também como paladina do euro, facto que agrada à Europa apesar de, no extremo, poder ser um apoio envenenado.

No caso de Angola, por exemplo, os chineses estão a fazer e a ocupar o espaço que de forma natural poderia ser de Portugal. Os ados oficiais apontam para que estejam em Angola cerca de 40 mil chineses, no entanto esse número deve ultrapassar os 100 mil.

A comunidade chinesa é a mais recente em Angola, mas num ápice tornou-se maioritária a residir no país. O Governo de Luanda explica que a presença chinesa no país avolumou-se com a quantidade de trabalhadores que acompanham as empresas chinesas que laboram em todo país.

Recorde-se que os acordos bilaterais Angola-China determinam que 70 por cento dos projectos de reconstrução devem ser dados a empresas chinesas, já que Pequim é o principal financiador da reconstrução de Angola.

Kadhafi mostra aos amigos como se faz
- Mercenários assassinam manifestantes

"Snipers" contratados a peso de ouro estarão na origem de "um massacre" que já terá causado mais de 100 mortos, na Líbia, nos protestos que estão na rua pelo fim dos 40 anos do regime de Kadhafi.

Desta forma o grande amigo dos josés (Eduardo dos Santos e Sócrates) mostra como se faz. E os líbios ainda não viram nada. Kadhafi tem com certeza na manga outros trunfos, com ou sem mercenários, para mostrar ao povo quem manda.

Em Angola, mau grado as tentativas para pôr o povo a pensar com a cabeça, tudo tende a continuar na mesma, ou seja, na santa paz do regime e do presidente não eleito que está no poder há 31 anos.

Aliás, os militares do regime angolano já estão com as unhas de fora para cortar o mal pela raiz. Os políticos do MPLA têm a missão de falar dos perigos do terrorismo, das manifestações sociais e políticas, criando as condições para que as Forças Armadas possam a qualquer momento matar primeiro e perguntar depois.

E com um povo pacífico, ainda para mais com a barriga vazia, não admira que em Angola nem as moscas se atrevam a contestar a liderança divina de um partido formado por gente de uma casta superior. Qualquer veleidade será arrasada, o que aliás nem constitui novidade para os vassalos do sumo pontífice do país.

Na Líbia, uma testemunha ocular, citada pela Agência Reuters, diz que "snipers" acantonados numa instalação militar dispararam sobre os manifestantes que saíram às ruas de Benghazi, a segunda maior cidade da Líbia.

"Morreram dezenas, não 15, dezenas. Estamos no meio de uma massacre", disse à Reuters um residente em Benghazi, que não quis identificar-se, por razões de segurança. Em declarações à cadeia de televisão Al-Jazeera, o escritor líbio Guma El-Gamary diz que o regime de Kadhafi contratou mercenários africanos para reprimir as manifestações. "Centenas de mercenários africanos, senão milhares, mesmo, estão a ser usados pelo Coronel Kadhafi", disse.

Pois é. Mas também nesta aspecto Angola é diferente. O regime não vai precisar de contratar mercenários para este efeito. Aliás, Luanda até os exporta, admitindo-se que alguns dos que estão na Líbia falam (mera coincidência, é claro) português. Trata-se, portanto, de gente que abunda nas fileiras do regime, sobretudo nos círculos que fazem a blindagem às altas figuras do reino.

"Estão a ser armados e usados para aterrorizar e até matar os manifestantes", disse Guma El-Gamary, acrescentando que "alguns dizem que lhe foram prometidos até 30 mil dólares a cada um".

O presidente de "Lybia Watch", uma ONG Líbia, Mohamed Abdulmalek, disse, também à Al-Jazeera, que "é 100% verdade" a notícia da contratação de mercenários. "O Governo negociou com alguns estados africanos para trazer mercenários para a Líbia", argumentou.

sábado, fevereiro 19, 2011

Jerónimo Martins: Um; José Sócrates: Zero
(a vingança deste PS não tardará a chegar)

O presidente do grupo Jerónimo Martins diz o que já é sentido pelos 700 mil desempregados e pelos 20% de pobres. Ou seja, que Portugal está em recessão e que não faz sentido mentir aos portugueses sobre a situação económica do país. Sócrates não gostou.

Alexandre Soares dos Santos diz que não se pode pedir sacrifícios às pessoas sem lhes dizer a verdade. Tem razão. E tanto tem que, um dias destes vai ter à perna os operacionais da ASAE, das Finanças e de tudo o que o primeiro-ministro puder deitar mão.

Na conferência de imprensa em que apresentou os resultados do seu grupo, Alexandre Soares dos Santos garantiu que irá aumentar salários este ano e dará prémios a todos os trabalhadores.

Soares dos Santos diz que o sucesso do grupo Jerónimo Martins, que aumentou lucros no ano passado em 40%, é fruto do trabalho, sem recurso a truques. E, é claro, essa metodologia é o inverso do que faz o Governo.

“Os truques é o Sócrates, não sou eu. Ele é que gosta dos truques, aqui não há truques. Aqui há planos, há estratégias muito bem definidas e implementadas com muito rigor”, afirma o empresário.

Apesar de ser verdade, há coisas que o sumo pontífice do PS não perdoa. Desde logo porque José Sócrates é o único dono da verdade, mesmo quando diz uma coisa às segundas, quartas e sextas, e outra diferente às terças, quintas e sábados.

Assim, à margem de mais uma visita às obras da auto-estrada transmontana, José Sócrates disse não ser a sua “função dar lições de boa educação” ao empresário, sublinhando que “não basta ser rico para ser bem educado”.

Ora aí está. Se há coisas para as quais José Sócrates ainda não tem diploma, uma delas é a de dar lições de boa educação. É que não basta ser secretário-geral do PS, ser primeiro-ministro, para ser paladino da boa educação. E Sócrates, seja na auto-estrada do Marão ou nas picadas do país real, ainda tem de percorrer muitos quilómetros para dar dessas lições.

Recorde-se, aliás, que a partir do momento em que, em Fevereiro de 2009, Alexandre Soares dos Santos disse que a actual “crise estava a ser agravada pela demagogia que o senhor primeiro-ministro está a empregar neste momento e que é absolutamente intolerável”, que – para além de outras acções intimidatórias – foram impulsionadas as buscas da Polícia Judiciária relacionadas com licenciamento de espaços comerciais e que se estenderam à sede do Grupo Jerónimo Martins, proprietária das cadeias de distribuição Pingo Doce, Feira Nova e Recheio.

Na altura, a Jerónimo Martins disse encarar "com muita tranquilidade e respeito esta investigação, convicta que cumpre integralmente os imperativos legais em vigor nas geografias onde opera".

O primeiro-ministro explicou também nessa altura que “em Portugal temos esta situação extraordinária: de um Governo que quer fazer mais e uma oposição que acha que não se devia fazer nada e nos devíamos sentar à espera que a crise passasse”.

Desde essa altura que fiquei à espera, mas não ouvi (falha minha, com certeza) José Sócrates apontar o exemplo do patrão do grupo Jerónimo Martins que disse que a actual crise está a ser agravada pela "demagogia que o senhor primeiro-ministro está a empregar neste momento e que é absolutamente intolerável”.

Acresce que, desta e de outras formas, todos continuam a saber que com estes dirigentes, tal como com outros, quem se meter com o PS... leva, forte e feio.

Alguns jornalistas meteram-se com os donos da verdade e do poder e foram para o olho da rua. Alguns empresários tiveram a ousadia de dizer umas tantas verdades ao chefe do posto e o resultado foi, sem apelo nem agravo, ver as suas empresas passadas a pente fino por todas as investigações e inspecções possíveis e imaginárias.

Se, ao menos, Alexandre Soares dos Santos tivesse dito que o êxito do seu grupo se deveu às políticas dos governos socialistas...