segunda-feira, julho 19, 2010

Português como língua oficial da ONU?
Claro! Com o apoio da Guiné-Equatorial

O Presidente da República de Portugal desafiou hoje, em Luanda, os países que falam português a incentivar a luta para que ganhe o estatuto de língua oficial das Nações Unidas, considerando que não se pode desperdiçar as suas “enormes potencialidades”.

“Não podemos desperdiçar por mais tempo as enormes potencialidades que o facto de partilharmos a mesma língua coloca ao nosso alcance”, frisou Cavaco Silva, numa intervenção na Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, no âmbito da sua visita a Angola.

“É do interesse de todos e de cada um dos nossos países que continuemos, se possível com maior dinamismo, o trabalho até aqui já realizado com vista à afirmação internacional da língua portuguesa, em particular no quadro das Nações Unidas, onde ela justifica há muito o estatuto de língua oficial”, acrescentou.

E se até aqui Cavaco Silva esteve bem, baixou consideravelmente ao admitir que “alguma coisa já se avançou”, nomeadamente com a criação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, mas sublinhou que “seria um voltar de costas à realidade e um enorme erro político olhar para o património que é, para todos, a língua portuguesa como se ele representasse uma questão meramente simbólica”.

A CPLP, em termos práticos, não passa de mais um elefante branco (provavelmente de vergonha) que só serve, apesar dos princípios, para alimentar ilustres de qualquer coisa nos animados, bem alimentados e regados, areópagos da política mais ou menos lusófona.

Dar ânimo à língua portuguesa passa pela revitalização do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, que “não pode ficar paralisado como simples aspiração”, disse Cavaco Silva, mas antes de mais a “primeira tarefa” passa pelo reforço do ensino do Português.

Como é seu estilo, Cavaco Silva gosta das meias palavras que – em bom português – servem sempre para agradar a gregos e troianos ou, melhor dizendo, a brasileiros e angolanos.

É claro que, tendo como bitola um discurso politicamente correcto, Cavaco Silva não poderia dizer que o Instituto Internacional da Língua Portuguesa, bem como a própria CPLP, deveriam abrir falência.

E exemplo mais elucidativo é o da mais que certa entrada na CPLP, como membro de pleno direito, da Guiné-Equatorial, que tem tanto de lusofonia, de língua portuguesa, como as penas de um camelo.

A Guiné-Equatorial é, aliás, o exemplo acabado de que a CPLP deve abrir falência e dedicar-se, sobretudo pela experiência que tem em meter água, à pesca.

E, para além da língua (e a tal CPLP define-se como de língua portuguesa), Teodoro Obiang (na foto com Cavaco Silva), o presidente da Guiné-Equatorial há 31 anos, é tão democrata e respitador dos direitos humanos como o Imperador Bokassa, Idi Amin Dada, Mobutu Sese Seko ou Adolfo Hitler.

É claro que para o dono da CPLP, Lula da Silva, como aliás para todos os restantes (ir)responsáveis da organização, a democracia e os direitos humanos têm, talvez por força do Acordo Ortográfico, um significado diferente. Tão diferente que quase sempre aparece a seguir ao... último.

Tão diferente que, em Janeiro de 2006, a Petrobras adquiriu à empresa norte-americana Chevron um bloco para explorar petróleo na Guiné-Equatorial em águas profundas, especialidade da petrolífera brasileira.

Tão diferente que a construtora Andrade Gutierrez também tem actuado no país por intermédio da sua subsidiária em Portugal.

Tão diferente que essa coisa chamada CPLP aceita impávida, serena e de barriga cheia (pouco importa, por exemplo, que dois em cada três cidadãos da Guiné... Bissau morram de fome) que o seu próximo líder, a partir de Julho, seja o presidente de Angola, não eleito, e que está no poder, tal como Obiang, há 31 anos e o seu partido, o MPLA, é dono do país desde a independência, em 1975.

Aliás, a verdade é que ninguém se atreve a perguntar a Cavaco Silva, por exemplo, se acha que Angola respeita os direitos humanos na sua colónia de Cabinda, ou se é possível a presidência da CPLP ser ocupada por um país cujo presidente, José Eduardo dos Santos, não foi eleito.

A verdade, incómoda para os donos do poder, seja em Portugal, Moçambique, Brasil ou Angola, é que a CPLP está a ser utilizada de forma descarada para fins comerciais e económicos, de modo a que empresas portuguesas, angolanas e brasileiras tenham caminho livre para entrar nos novos membros, caso da Guiné-Equatorial.

Reconheça-se, contudo, que tomando como exemplo Angola, a Guiné-Equatorial preenche, com excepção da língua, todas as regras para entrar de pleno e total direito na CPLP. Não sabe o que é democracia mas, por outro lado, tem fartura de petróleo, o que é condição “sine qua non” para comprar o que bem entender... mesmo o direito de dizer que adopta o português como língua oficial.

Obiang, que a revista norte-americana “Forbes” já apresentou como o oitavo governante mais rico do mundo, e que depositou centenas de milhões de dólares no Riggs Bank, dos EUA, tem sido acusado (tal como como o seu homólogo angolano) de manipular as eleições e de ser altamente corrupto, tal como o que se passa em Angola.

Obiang, que chegou ao poder em 1979, derrubando o tio, Francisco Macias, foi reeleito no ano passado com 95 por cento dos votos oficialmente expressos (também contou, como em Angola, com os votos dos mortos), mantendo-se no poder graças a um forte aparelho repressivo, do qual fazem parte os seus guarda-costas marroquinos.

Os vastos proventos que a Guiné-Equatorial recebe da exploração do petróleo e do gás natural poderiam dar uma vida melhor aos 600 mil habitantes dessa antiga colónia espanhola, mas a verdade é que a maior parte deles vive abaixo da linha de pobreza. Em Angola são 70% os pobres...

Fuba podre, peixe podre, 30 angolares e porrada se refilares... em versão inversa

Os donos de Angola (a família Eduardo dos Santos e mais meia dúzia de amigos) estão, no âmbito do que hoje em Luanda Cavaco Silva chamou de parceria estratégica entre Luanda e Lisboa, a comprar Portugal.

Fazem bem. Se o país (Portugal) está à venda e há compradores... é a regra do mercado a funcionar.

Não creio, até pela amizade entre o governo português e o angolano, entre o PS e o MPLA, entre quem precisa e quem tem para dar, que alguma vez José Sócrates utilize as “golden shares” para evitar a venda, em parte ou por atacado, do país aos poucos que em Angola têm muitos milhões.

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome e de cada vez mais portugueses seguirem o mesmo caminho, tudo o resto é normal, como se vê pelos panegíricos bilaterais que caracterizam a visita de Cavaco Silva à face A de Angola.

Quintas, vivendas, bancos, empresas etc. fazem parte do cada vez maior leque de interesses dos donos de Angola que, com o dinheiro roubado ao Povo (70% vive na miséria), olham para Portugal não como a árvore das patacas mas, isso sim, como o lugar ideal para esconder o dinheiro dessa árvore.

Ainda bem. Recorde-se aliás que, ao contrário do que quase todos os portugues e angolanos pensavam, José Eduardo dos Santos é cidadão português. Não que isso o orgulhe, mas sempre facilita.

Quem disse que o dono de Angola é português foi o próprio primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, quando afirmou que a venda de parte da Galp a José Eduardo dos Santos se deveu ao facto de não querer que a empresa fosse para mãos de estrangeiros...

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome e de cada vez mais portugueses seguirem o mesmo caminho, é normal que os donos do poder (sobretudo económico) estendam as suas garras a outros países.

E ainda bem que consideram Portugal uma boa escolha. O reino luso a norte de Marrocos só tem a ganhar com estes investimentos. Depois de 500 anos de colonização já era tempo de ser o colonizador a ser colonizado.

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome e de cada vez mais portugueses seguirem o mesmo caminho, importa acrescentar que a economia portuguesa está a ficar nas mãos da economia angolana e, pelo andar do que é conhecido, um dia destes ainda vamos ter outras grandes surpresas.

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome e de cada vez mais portugueses seguirem o mesmo caminho, Portugal vai assistir ao nascimento de novas estruturas empresariais, em quase todos os sectores – incluindo os da comunicação social – de modo a que seja mais fácil aos donos do poder em Angola dizer aos escravos portugueses como devem fazer as coisas para agradar ao colono angolano.

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome e de cada vez mais portugueses seguirem o mesmo caminho, fico à espera de ver mais alguns (sim, que já há muitos) sipaios portugueses fazerem a vénia ao chefe do posto angolano porque se o não fizerem sujeitam-se a “fuba podre, peixe podre, 30 angolares e porrada se refilares”.

domingo, julho 18, 2010

Centro de Emergência Médica no Porto

A propósito da pergunta aqui feita no passado dia 27 de Junho (O que é feito do centro de emergência médica no Porto, o primeiro a existir em Portugal?) uma mão amiga mandou-me o texto que se segue:

«O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e a Santa Casa da Misericórdia do Porto assinaram, ontem, 24 de Março, o memorando de entendimento para a criação de um Centro de Emergência Médica.

A cerimónia realizou-se ao final da manhã no salão nobre do Hospital Conde Ferreira, no Porto, que será o local onde serão construídas as futuras instalações.

A Santa Casa da Misericórdia do Porto disponibilizou-se para ceder o logradouro do hospital, que tem a vantagem de se situar em plena Via de Cintura Interna, com acesso às auto-estradas n.º 1 e n.º 3, e muito próximo do Hospital de S. João.

O projecto vai possibilitar ao INEM concentrar todos os seus recursos a norte, actualmente dispersos pela cidade, e garantir uma melhor gestão dos recursos e dos meios.

Assim, o novo espaço da Delegação Regional do Norte do INEM vai albergar o heliporto e a sede logística do Serviço de Ambulâncias de Emergência (SAE) da região Norte. O complexo vai também incluir o Centro de Formação do Porto e a sede da futura Escola Nacional de Emergência Médica.

A obra vai permitir uma elevada redução de custos, nomeadamente com a cessação do arrendamento do actual edifício da delegação e no heliporto do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos.

A direcção do INEM considera que este rojecto poderá realizar-se por duas fases, sendo que na primeira serão construídas a sede da Delegação Regional do Porto e as instalações da Escola Nacional de Emergência Médica e, na segunda fase, será construído o heliporto e a sede do Norte do SAE.

O estudo económico para este projecto ainda se encontra em formação. Após a aprovação do Ministério da Saúde, o projecto será levado a concurso para a realização da obra. Estima-se que o investimento global possa rondar os 15 a 20 milhões de euros e terá início em 2010.»


Nota: Julguei que iria ficar esclarecido. Mas não fiquei. É que este texto, ao que parece é o mais actual que há sobre o assunto, é de 25 de Março de... 2009.

Lusa “contratada” para, ao abrigo do acordo ortográfico, reescrever a geografia de Angola

“Em Angola, o Presidente da República Portuguesa vai estar com os empresários que o acompanham na inauguração da Feira Internacional de Luanda (FILDA), onde estão pelo menos mais uma centena de homens de negócios portugueses, e ainda nas viagens ao Lubango (província de Benguela) e a Lobito (província da Huila).”

É caso, na minha opinião, para dizer que quem sabe... sabe. E, pelos vistos, ninguém melhor do que a Lusa para descobrir que o Lubango fica na província de Benguela e, faz sentido, o Lobito na província de Huila.

Se calhar, é assim porque – como bem diz o presidente da Lusa, Afonso Camões -
“É assim que eu quero e é assim que vai ser". E se a Agência de Notícias de Portugal quer transferir o Lubango para Benguela e o Lobito para a Huila... assim seja.

Acresce, como é fácil de verificar numa simples consulta, que a comunicação social portuguesa, numa sinergética filosofia de chutar para as suas páginas na Internet tudo o que a Lusa põe em linha, essa nova geografia de Angola já corre o mundo (a imagem foi tirada do jornal Público).

Mas, reconheço, não é só a Lusa que reescreve a geografia angolana. António Mangueira, então director-executivo do Comité Organizador do Campeonato Africano das Nações2010 (COCAN), esteve na em Lisboa em Junho de 2009 e mostrou que quando se junta petulância e ignorância o resultado é explosivo.

O angolano António Mangueira, que fazia então a primeira apresentação da CAN 2010 em Lisboa, lembrou que, “para quem conhece um pouco da história de Angola”, nos tempos dos portugueses “o Lubango era chamado de Nova Lisboa”.

Sem mais nem menos. A António Mangueira só faltou dizer que, se calhar, a cidade do Huambo era chamada para aí (deixa lá ver!) de Sá da Bandeira...

De facto, o bom jornalismo lusitano sempre foi um paradigma de cultura. Em 2003 uma enviada especial do Jornal de Notícias a Moçambique escreveu que a terceira causa de morte naquele país era... a queda de cocos.

Nesse mesmo ano, outro enviado especial - desta vez a Angola - escreveu: «Foi, de resto, a leitura de uma carta dos pais de Savimbi, que residem no Burkina Faso, o momento mais emocionante do congresso, com choros a escutarem-se aqui e ali».

Mandaria o bom senso que o jornalista do JN se lembrasse que, tendo Savimbi 67 anos quando morreu, os pais a estarem vivos teriam (no mínimo) muito perto de 90.

Mandaria a competência profissional que o jornalista soubesse que os pais de Savimbi tinham, na altura, morrido há 30 anos.

Também no dia 19 de Agosto de 2009, o português Diário Digital escrevia que “a Junta Militar que governa a Guiné-Bissau desde o golpe de Estado de 2008 convocou eleições presidenciais para 31 de Janeiro de 2010 e legislativas para 26 de Março”.

Ainda de acordo com o Diário Digital, “o presidente da Junta Militar no poder na Guiné-Bissau, o capitão Moussa Dadis Camara, fez o anúncio das datas, estipuladas por um comité especial integrado por representantes de partidos políticos, sindicatos, da sociedade civil e das Forças Armadas”.

Por último, dizia ainda o Diário Digital, “a Junta Militar liderada por Camara chegou ao poder num golpe de Estado a 23 de Dezembro de 2008, poucas horas depois da morte do então presidente Lansana Conté, que ocupou o cargo durante 24 anos. O capitão Camara pediu ajuda financeira da comunidade internacional para organizar as eleições”.

No contexto da produção em série de textos de linha branca, em que os operários que os fazem trabalham descalços para não terem dificuldade em contar até 12, até se aceita que a Guiné-Bissau seja confundida com a Guiné-Conacri, que Moussa Dadis Camara tivesse feito uma plástica e se parecesse agora com Malam Bacai Sanhá, ou que – por exemplo – Kabiné Komara fosse irmão gémeo de Carlos Gomes Júnior.

De qualquer modo, convenhamos que a um site supostamente informativo escrito também num país de língua oficial portuguesa deveria saber a diferença, apesar da semelhança, entre fazer amor com o José Maria ou com a Maria José.

sábado, julho 17, 2010

Razão tem Sócrates ao querer acabar
com os jornalistas que não são do PS

Em Portugal, importa ir relembrando seja, ou não, a propósito da campanha negra contra José Sócrates, do P(R)EC ou do tango, o Estatuto do Jornalista aprovado pelo PS do mesmo José Sócrates, foi, é e será por muitos anos a página mais negra na história do Jornalismo do pós-25 de Abril.

Apesar dos sucessivos apelos, incansáveis iniciativas e documentos de esclarecimento e de aviso para os graves erros e riscos, o governo do mesmo José Sócrates & Companhia foi insensível aos argumentos e posições dos Jornalistas.

Dos Jornalistas. Não dos mercenários contratados para dirigir alguns órgãos de comunicação social, mesmo que tenham carteira profissional.

O PS do mesmo José Sócrates foi incapaz de gerar um Estatuto consensual (até no Parlamento), no qual os jornalistas portugueses se revissem e reconhecessem como instrumento legal fundador de um jornalismo mais livre e mais responsável.

Aliás, liberdade e responsabilidade não se enquadram neste PS de José Sócrates.

O Estatuto aprovado não garante mais a protecção do sigilo profissional dos jornalistas. Pelo contrário, diminui tais garantias, ao elencar um conjunto de circunstâncias em que esse direito-dever pode ceder, bastando aos tribunais invocar dificuldade em obter por outro meio informações relevantes para a investigação de certos crimes.

Assim (e o PS lá sabe as suas razões…), os poucos jornalistas que restam – são mesmo poucos - enfrentarão maior resistência de fontes confidenciais que poderiam auxiliar a sua investigação de fenómenos como o tráfico de droga e até, como se insinuou nos debates, de corrupção, entre outros crimes que os profissionais da informação têm o direito e o dever de investigar e denunciar.

A falta de garantias de autonomia editorial e de independência e os riscos deontológicos criados pelo Estatuto socialista comprometem a aceitação, pelos jornalistas, de um regime disciplinar que é injusto porque aplicável num contexto de fragilidade, no qual não estão em plenas condições de assumir livremente as suas responsabilidades.

O Estatuto socialista não cria condições para uma efectiva autonomia editorial e independência dos jornalistas (e o PS lá sabe as suas razões…), antes as agrava, fragilizando ainda mais a posição destes profissionais face ao poder das empresas, grande parte delas nas mãos dos amigos do PS.

Também neste matéria, o PS de José Sócrates quer (e anda lá perto) acabar com todos os jornalistas de segunda, ou seja, todos aqueles que não são do... PS.

Ministro põe na rua o director da televisão
- Digam lá que não teve muito bons mestres?

O ministro da Comunicação Social (uma espécie do português Augusto Santos Silva nos seus melhores tempos) demitiu o director da Televisão São-tomense (TVS), Mateus Ferreira.

Num despacho datado de sexta-feira, o ministro Carlos Gomes (foto) declara que “com efeito imediato” a demissão do director, alegando – pois claro! – a “necessidade de se imprimir uma nova dinâmica” na televisão são-tomense, onde terminou na quinta-feira uma paralisação dos trabalhadores que se prolongou por cinco dias.

Mateus Ferreira, que regressou sexta-feira a são Tomé de uma viagem de trabalho ao Brasil e aos EUA, foi confrontado no mesmo dia com o seu afastamento, considerado pelos jornalistas e técnicos da TVS como “uma represália” à greve realizada na única televisão pública do arquipélago.

Consta (e ao Alto Hama não foi até agora possível confirmar a informação) que o ministro terá dito qualquer coisa do tipo “e assim que eu quero e é assim que vai ser" (onde é que eu já li esta frase?).

A paralisação de jornalistas e técnicos teve por base a reivindicação de melhores condições de trabalho, reposição dos subsídios e enquadramento de um conjunto de profissionais sem vínculo contratual com o Estado.

Os trabalhadores contestam a decisão ministerial de afastar o director da televisão por ocorrer a menos de 15 dias de eleições autárquicas a nível nacional e regionais na Ilha do Príncipe.

Mas não adianta contestar. Se “é assim que ele quer, é assim que vai ser". Tudo, como é lógico, a bem da democracia, do Estado de Direito e – já agora – da liberdade de imprensa...

Pérolas políticas do anedotário lusitano

Como Portugal não tem problemas graves para resolver no imediato (os 700 mil desempregados, os 20% de miseráveis e os 20% de pobres são uma questão de longo prazo), os políticos resolveram agora brincar com, ou à Constituição.

Vitalino Canas , um dos mais acérrimos acólitos de José Sócrates (pelo menos enquanto ele for líder), considera que a proposta de Passos Coelho de reforço dos poderes do Presidente da República é uma matéria “acessória", que demonstra um “pensamento vazio sobre a revisão constitucional” ou uma “agenda escondida”.

Não está mal. O léxico político-parasitário do reino soma assim o “pensamento vazio” e a “agenda escondida” a outras pérolas suínas já emblemáticas, como são os casos de “espionagem política”, “sujeira”, “coscuvilhice” e “política de fechadura”.

Mas da autoria de Vitalino Canas há mais. "É grave que o presidente do PSD, em vez de ter procurado em Madrid coordenar respostas contra a crise, tenha antes procurado salvaguardar os interesses de uma empresa espanhola contra os interesses de Portugal", disse o dirigentes socialistas, acrescentando, com a sublime e erudita capacidade que lhe é peculiar, que Passos Coelho "ajoelhou-se aos interesses de uma empresa espanhola contra o interesse nacional".

Mas há mais: "Fiquei incrédulo e estupefacto quando tomei conhecimento dessa alteração estatutária (lei da rolha decididida no Congresso do PSD). A confirmar-se essa alteração estatutária, quase 36 anos após o 25 de Abril de 1974, estaremos perante uma verdadeira lei da rolha, uma lei estalinista implementada por um partido democrático", afirmou em Março deste ano Vitalino Canas.


Recordar-se-á Vitalino Canas que, de acordo com António Barreto, “o primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas”?

Recordar-se-á Vitalino Canas que, sempre citando António Barreto, “este é o mundo em que vivemos: a mentira é uma arte. Esta é a nossa sociedade: o cenário substitui a realidade. Esta é a cultura em vigor: o engano tem mais valor do que a verdade”?

"Hoje em dia, tendo em conta as dificuldades, seria obviamente importante haver o maior consenso possível", disse Vitalino Canas ao Jornal de Negócios (Fevereiro de 2009), quando confrontado com a manifestação de disponibilidade de Manuela Ferreira Leite para um pacto de regime.

«Quando se fazem balanços é, certamente, para realçar aquilo que se fez bem. E foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizemos mal.»

Quando me desafiaram a dizer quem seria o autor de tão brilhante espelho de uma governação ao estilo do Burkina Faso, calculei que teria sido Adolf Hitler ou um sucedâneo dos muitos que, infelizmente, ainda por aí andam.

Errado. Tentaram ajudar-me dizendo que era alguém da Lusofonia (malandros!). Mordi o isco e disparei: José Eduardo dos Santos. Completamente ao lado. Pensando melhor, alvitrei que deveria ser João Gomes Cravinho. Também não. Mas estava próximo. Fora afinal (e eu não acertei) Vitalino Canas, porta-voz do Partido Socialista de José Sócrates...

"Menos arrogância e mais humildade"

O primeiro-minitro português, José Sócrates, prefere ser morto pelo elogio do que salvo pele crítica. Não há nada que os socialistas possam fazer. Sócrates rodeou-se de muita gente menor e, como seria de esperar, está agora a ver que para ter à sua volta quem está sempre de acordo bastaria a sua própria sombra.

Não faltaram avisos mas, mais uma vez, alguns dos seus fiéis supostos amigos vão ser os primeiros a tirar-lhe o tapete. Sempre assim foi, sempre aasim será. Seja no PS ou no PSD.

A questão escaldante da falta de liberdade de imprensa foi a cabal demonstração de que Sócrates tinha, e tem, à sua volta muita gente que está sempre na primeira linha para lhe estender a mão quando tropeça numa pedra. No entanto, o que ele precisava era de quem tirasse as pedras antes de ele passar.

Está absolutamente demonstrado que só os poderes enfraquecidos perseguem a imprensa e, por outro lado, está igualmente demonstrado que nem por isso se tornam mais robustos e que, ao contrário, acabam quase sempre por se declarar vencidos. Só os poderes enfraquecidos temem a imprensa, desde logo porque a imprensa não é para temer.

Não. A frase não é da minha autoria nem de um qualquer assessor de imprensa, ou administrador da PT. O autor é João Pinheiro Chagas, um português que nasceu em 1863 e morreu em 1925.

Com este cenário, José Sócrates começa a ver alguns dos seus mais próximos colaboradores falarem da sua sucessão. Outros falam sem que se ouça. Muitos pensam mas não falam.

Tivesse Sócrates lido e pensado no que disse, em Janeiro de 2008, à Visão, o ex-secretário-geral do PS, Ferro Rodrigues, e se calhar não estaria agora a ser apunhalado pelas costas por um alguns dos seus supostos amigos.

Ferro Rodrigues disse há dois anos que o Governo português deveria ter “menos arrogância e mais humildade”.

Aliás, como bem sabe Ferro Rodrigues até por experiência própria, basta um pequeno sinal de água para que a maioria dos ratos socialistas abandone imediatamente o navio.

Sobretudo, mas não só, com José Sócrates o primado da competência foi engavetado, os empregos foram dados a supostos amigos, foi esquecido o princípio de que é preferível ter um adversário inteligente a um amigo estúpido, atolaram a máquina do Estado (onde se incluem muitas empresas) com amigos que para contarem até 12 continuam (mesmo com recurso ao Magalhães) têm de se descalçar.

Curioso é, ainda, ver como alguns socialistas (e alguns sociais-democratas) continuam a julgar que são uma solução para o problema quando, de facto, são um problema para a solução.

Por alguma razão Ana Gomes, João Cravinho ou Vera Jardim até falaram das escutas do processo Face Oculpa, e o próprio António Costa já fala de que o PS tem "boas soluções" no que toca à sucessão a José Sócrates.

Ana Gomes chega ao ponto de escrever que é "o Estado de direito democrático que pode estar em causa", recusando-se a "varrer para debaixo do tapete as questões que tais escutas suscitam".

"Se por qualquer hipótese [José Sócrates] deixar de o ser, o PS tem no Governo e na Assembleia da República boas soluções que asseguram a continuidade institucional do seu mandato," afirmou ao jornal i o actual presidente da Câmara de Lisboa.

Por sua vez, João Cravinho diz que o Governo tem de "provar e convencer os portugueses de que as suspeitas que estão a transformar o País num pântano não têm razão de ser" e o deputado Vera Jardim considera que "é urgente que se faça luz sobre isto” porque “este clima não é sustentável."

sexta-feira, julho 16, 2010

CPLP? Angola? Guiné-Bissau? Cabinda?
Ou mais umas fantasias de Ana Gomes?

A eurodeputada Ana Gomes, ao seu estilo próprio e mostrando que continua a pensar pela sua própria cabeça, pediu hoje que a CPLP “condene” em Luanda a nomeação do general António Indjai como chefe do Estado-Maior General da Guiné-Bissau, e que aborde também as violações de direitos humanos em Angola, nomeademnte na colónia de Cabinda.

“Espero que a cimeira da CPLP em Luanda condene a nomeação do golpista António Indjai e que a comunidade discuta aberta e amplamente a situação na Guine-Bissau e assuma a responsabilidades da própria CPLP em não deixar que o país se transforme num narcoestado”, afirmou a eurodeputado do PS.

Ana Gomes está contudo, e infelizmente, a partir de pressupostos completamente errados. Desde logo parte do princípio de que a tal CPLP – Comunidade de Países de Língua Petrolífera (Portuguesa era a versão original) é uma entidade de bem e corolário de que os seus membros são Estados de Direito. E isso é falso.

No que à Guiné-Bissau respeita, esquece-se que – mais uma vez com a conivência da tal coisa chamada CPLP – por lá impera a razão da força e não a força da razão. Basta ver que ao fim de dezenas de anos de independência, dois em cada três guineenses vivem na pobreza absoluta.

Por outro lado, Ana Gomes destacou que a cimeira de Luanda deve também ser uma oportunidade para “um diálogo político aberto e sem complexos sobre a situação dos diferentes países da CPLP”.

Isso é que era bom. Desde logo porque Portugal vai passar a presidência da coisa para Angola, não se podendo esquecer que a comitiva do reino lusitano estará em Luanda de mão estendida e, nessa circunstância, nada fará que possa chatear os donos do país, o MPLA no poder desde 1975 e o seu grande líder, José Eduardo dos Santos, presidente vitalício e que já ocupa o lugar há 31 anos.

“Visto que a cimeira é em Luanda, espero que se fale dos problemas que se têm sentido no respeito pelo estado de direito e pelos direitos humanos em Angola”, nomeadamente o problema dos “despejos forçados” e da situação em Cabinda.

Se Angola fosse um Estado de Direito (e até mesmo em relação a Portugal há muitas dúvidas...), talvez fosse possível falar de direitos humanos e da prepotência abominável que Luanda exerce na sua colónia de Cabinda contra todos aqueles que o único crime que cometeram foi pensar de maneira diferente.

A solução em Cabinda “não passa certamente pela repressão cega e brutal contra activistas cabindas, como se está a verificar com o atual julgamento do padre Raul Tati” e de outros, onde se faz “gato-sapato do estado de direito com acusações completamente fabricadas e sem nenhuma sustentação”, criticou Ana Gomes.

Sendo verdade, é contudo uma verdade que não é partilhada por José Sócrates, o sumo pontífice do partido de Ana Gomes, nem sequer pelo presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Quanto à margem que o Presidente da República português tem, para abordar estas questões - numa altura em que as relações económicas entre Lisboa e Luanda assumem maior relevância -, Ana Gomes foi perentória: “Só é difícil quando não há coragem e falta coerência. É normal que existam grandes interesses económicos, mas isso não nos deve levar, pelo contrário, a esquecer aspectos essenciais do respeito pelo estado de direito, também essenciais para a sustentabilidade dessas relações económicas e de negócios entre os dois países”.

Mas será que Ana Gomes acredita que alguma vez Cavaco Silva ou José Sócrates teriam coragem para dizer umas tantas verdades ao soba de Angola? Não acredita, obviamente.

E não acredita porque sabe que se chatearem muito Eduardo dos Santos, ou os seus acólitos, ele manda retirar a Oferta Pública de Aquisição sobre Portugal e lá vamos ver os espanhóis a montar tendas junto à fronteira... local onde irão ficar com as praias depois de Portugal se afundar completamente.

As tetas da porca política lusitana

O ministro português (de que outro país poderia ser?) da Presidência afirmou, hoje, perceber “a ânsia” do presidente do CDS em ir para o Governo e em abrir uma crise política, mas considerou que esse é um problema de Paulo Portas e não dos portugueses.

Pedro Silva Pereira tem parcialmente razão. É que, para os portugueses, o principal problema até não é Paulo Portas mas, isso sim, o de terem um governo acéfalo e ditatorial como é o de José Sócrates.

Pedro Silva Pereira falava no final do Conselho de Ministros, comentando o repto lançado quinta-feira pelo presidente do CDS, na Assembleia da República, para que José Sócrates abandone as funções de primeiro-ministro e permita que se forme uma Governo de coligação entre PS, PSD e CDS.

É evidente que, mais uma vez, o CDS não perde uma oportunidade para marcar presença e, tanto quanto possível, tentar garantir uma das tetas da porca pública que alimenta grande parte dos parasitas políticos do reino lusitano.

“Percebo a ânsia de Paulo Portas em querer ir para o Governo, para que haja crise política e, porventura até, eleições, mas esse é um problema de Paulo Portas, porque está na oposição, e não do país. A última coisa que o país pensa agora é fazer mais eleições, depois de termos tido três no ano passado e de haver presidenciais em Janeiro”, respondeu o ministro da Presidência.

Mais crise do que a que existe não me parece possível. Por isso, quanto mais cedo os portugueses forem chamados a dizer de sua justiça, melhor. Isto porque, as balelas do Governo já não convencem nem mesmo os socialistas.

Pedro Silva Pereira considerou depois que Portugal “não pode estar sempre em eleições” e defendeu que “a instabilidade política é negativa para os interesses das famílias, das empresas e dos portugueses em geral”.

É verdade. Mas entre a instabilidade e a eventualidade de uma mudança para melhor (para pior é difícil) a opção dos 700 mil desempregados, dos 20% de miseráveis e de outros 20% de pobres não é difícil de advinhar, por muito que isso custe ao sumo pontífice do PS e aos seus acólitos.

“Precisamos de trabalhar e executar os programas que foram aprovados para dar confiança à economia portuguesa. Mas o que não inspira qualquer confiança é que o país se entretenha a discutir a oportunidade de uma crise política agora ou daqui a mais um bocadinho”, disse Silva Pereira.

Como teoria para quem está agarrado ao tacho... não está mal. O PS tem medo de eleições. Não tanto pelo cartão vermelho que os portugueses certamente lhe irão mostrar, mas sobretudo porque dentro do PS são cada vez mais os que pensam que Sócrates e companhia há muito deixaram de ser bestiais para seres... bestas.

Para o ministro da Presidência, a generalidade dos portugueses espera que “esta legislatura se cumpra, que o mandato que foi dado ao Governo para governar possa ser exercido e que o Governo, no âmbito dessas responsabilidades, possa enfrentar os problemas”.

Tretas. O governo socialista está em cima de um tapete rolante que para trás. Inteligente como ninguém, Sócrates ao ver o movimento do tapete reparou que estava na posição contrária e começou a andar no sentido do tapete, ou seja para trás. E com ele está a levar o país.

Por alguma razão, desde que José Sócrates chegou a dono do país, Portugal está cada vez mais perto dos mais evoluídos paises do norte... de África.