
Aliás, não deve ser difícil de provar (digo eu) que a comunidade oriunda do Tadjiquistão é, em Portugal, muito mais importante do que a guineense. Tal como todos sabem quem é Emomali Rahmonov e não fazem ideia de quem é Nino Vieira. Tão simples quanto isso.
Só os estúpidos (onde, naturalmente, me incluo) é que podem pensar de maneira diferente, é que podem pensar (se é que pensam) que falar dos países lusófonos deveria ser um imperativo nacional. Tão simples quanto isso.
De facto, bem vistas as coisas, que interessa aos portugueses saber que o crescimento económico de Angola deve este ano atingir os 25%, contra os 14% de 2005? Ou que a produção petrolífera deve subir para mais de dois milhões de barris por dia em 2007?
De facto, bem vistas as coisas, que interessa aos portugueses saber que o mercado angolano cresce 30 vezes mais depressa do que o português, que tem 1,2467 milhões de quilómetros quadrados e que é o 22.º país do mundo em extensão territorial?
De facto, bem vistas as coisas, que interessa aos portugueses saber que entre 2000 e 2004 as exportações portuguesas para Angola cresceram 16%, que em 2005 o volume de negócios foi de 622 milhões de euros e que nesse ano Lisboa comprou a Luanda produtos no valor de 24 milhões de euros, quando em 2001 tinham sido 127 milhões?
De facto, bem vistas as coisas, que interessa aos portugueses saber que o seu país vende para Angola 28 milhões de euros de cerveja, 25 milhões de euros de vinhos, 20,6 milhões de euros de aparelhos eléctricos e electrónicos e 20,1 milhões de euros de enchidos?
Bem vistas as coisas (o que não é o meu caso) é muito mais fino e intelectualmente assertivo escrever sobre Islam Karimov (neste caso o presidente do Uzbequistão) do que sobre Eduardo dos Santos. Tão simples quanto isso.
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