quinta-feira, novembro 10, 2011

Aiué, são tantas as lágrimas!

Em Angola, na minha terra, na terra dos meus meninos, 45% das crianças sofrem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos. Continuam a ser geradas com fome, a nascer com fome, e a morrer pouco depois... com fome.

 Com fios feitos de lágrimas de dor
os meus meninos do Huambo choram
ainda marcados pelo muito horror
da miséria e da fome onde moram.

Com os lábios de muito dizer aiué
soletram pensamentos de esperança
como quem se alimenta de tanta fé
inebriada pelos sorrisos de criança.

Os meus meninos à volta da fogueira
já aprenderam que dizer a verdade
será talvez mais uma bonita bandeira
mas que o melhor é não falar de saudade.

Com os sorrisos mais lindos do planalto
- Essa é uma certeza para a eternidade,
fazem contas engraçadas de sobressalto
e subtraem a fome a sonhos de igualdade.

Dividem a chuva miudinha pelo milho
como se isso fosse o seu eterno destino,
soltam ao céu toda a dor feita andarilho
no seu estilhaçado mundo peregrino.

Os meus meninos à volta da fogueira
não vão aprender novas palavras
porque a dor da miséria é cegueira
que alimenta todos os dias as lavras.

Assim descontentes à voltinha da poesia
juntam palavras do tempo que passa
para ver se alimentam a barriga vazia
e se descobrem o fim de tanta desgraça.

1 comentário:

Xavier Campos Joaquim disse...

LINDO POEMA.QUE HAJA MUDANÇA PARA OS ANGOLANOS, COMEÇANDO MESMO NESSA MEMORÁVEL DATA 11/11/11. QUE DEUS OUÇA ORAÇÕES DESTE POVO SOFREDOR!
QUE DEUS ABENÇOE SEUS TRABALHOS QUE MUITO APRECIO. pAZ SEJA CONTIGO QUERIDO!