
Deixem-me, contudo, falar de uma outra Angola. A que baixou um lugar no Índice de Desenvolvimento Humano elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ocupando o 161º lugar entre os 177 países que constam do relatório daquela agência internacional.
O Relatório do Desenvolvimento Humano/2006, subordinado ao tema "A água para lá da escassez: poder, pobreza e a crise mundial da água", foi hoje apresentado publicamente em Luanda, numa cerimónia que contou com a presença de membros do Governo angolano e do Sistema das Nações Unidas em Angola.
O documento refere, entre outros indicadores, que a esperança de vida à nascença em Angola é de 41 anos (40,8 no relatório de 2005) e que a probabilidade à nascença de viver até aos 40 anos é de 48,1 por cento, o mesmo valor que constava do anterior relatório.
A taxa de mortalidade infantil em Angola mantém-se em 154 por cada 1.000 nados vivos, enquanto a taxa de mortalidade infantil para menores de cinco anos também se mantém em 260 por cada 1.000 nados vivos, sendo a segunda mais eleva da do mundo, apenas ultrapassada pela Serra Leoa.
Relativamente às crianças, o relatório indica que 31 por cento dos menores de cinco anos têm um peso deficiente para a idade, mantendo-se o valor que constava do documento elaborado no ano passado.
Na cerimónia de hoje foi também apresentado o relatório sobre a Situaçã o da População Mundial em 2006, intitulado "Passagem para a Esperança: Mulheres e Migrações Internacionais".
Segundo o Coordenador Residente Interino das Nações Unidas em Angola, Anatólio Mba, não existem em Angola dados "suficientemente actualizados" para car acterizar a situação das mulheres migrantes ou o impacto da violação dos direitos humanos relativamente à água e saneamento.
1 comentário:
Hoje vou falar de eleições, das eleições em Angola. Já que o Orlando Castro decidiu falar de outra Angola...
E aproveitando a boleia do Alto Hama resolvi analisar as nuances do discurso de José Eduardo dos Santos na abertura do Conselho da República de Angola e das resoluções deste.
O Presidente angolano disse ""Dentro de poucos anos, os órgãos de soberania, tais como a Assembleia Nacional, o Governo e o Presidente da Republica serão legitimados através de eleições democráticas e livres, que pretendemos organizar e realizar de modo transparente e em segurança, para que os seus resultados expressem a vontade soberana do povo angolano".
Repararam na subtileza do "dentro de alguns anos" ? ou "serão legitimados" ? ou ainda "pretendemos organizar e realizar de modo transparente" ?
Se eu fosse malicioso perguntaria se as ultimas não foram transparentes, mas como não sou deter-me-ei apenas no "dentro de alguns anos". Mais uma vez JES não fala nunca em datas. Apenas insinua. Como insinuou anos atrás nos EUA que seriam "depois de..."
E JES poderia ter aproveitado a resolução UNÂNIME do COnselho da República, que o aconselhou a marcar as eleições legislativas para meados de 2008 e as presidenciais para um ano depois, para anunciar as datas definitivas.
Mas uma vez mais não o fez.
Uma vez mais os jornalistas e os politicos tecerão comentários durante uns meses, discutirão acaloradamente as opções e JES manter-se-á calado, agarrado ao poder SEM MARCAR ELEIÇÕES.
Gostaria tanto de me enganar e ouvir JES anunciar a data das eleições...
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