domingo, janeiro 17, 2010

Sem cartão do MPLA não se entra.
Sem o sim do MPLA fica-se à porta

“Vou a Luanda ansioso, porque não sei se consigo sair. Qualquer pessoa que tenha opiniões próprias e a possibilidade de se fazer ouvir, principalmente fora do país, tem problemas em Angola", afirma José Eduardo Agualusa.

É verdade. E ao que me parece, não tardará muito que a mesma ansiedade chegue aos que vão ou vivem em Portugal. É que ter opiniões próprias sobre Angola e que, obviamente, não sejam coincidentes com as do regime, pode revelar-se catastrófico mesmo em Portugal.

Cada vez mais o clã Eduardo dos Santos é dono das ocidentais praias lusitanas. Seja onde for, da banca à comunicação social, da construção civil às agências de comunicação, lá estãos as mãos, e as instruções, de Isabel dos Santos.

Sem cartão do MPLA os angolanos não entram, sem o sim dos serviços secretos angolanos, os portugueses ficam à porta. Tão simples quanto isso.

É por isso que aqueles a quem caberia dar voz a quem a não tem (os jornalistas) se calam em muitos casos, se rendem às teses oficiais quando importa dizer a verdade, se põem de cócoras alegando supostos interesses superiores.

Veja-se, por exemplo, o que se está a passar em Cabinda. As notícias aparecem (quando aparecem) diluídas no meio de uma enxurrada de mixórdia diversa, raramento indo ao fundo da questão. Cumprem, assim, os serviços mínimos que são, aliás, uma boa forma de prestar um bom serviço aos donos dos jornalistas e, é claro, aos donos dos donos.

Onde será que se pode ler, ver, ou ouvir que – por exemplo – Luanda é das cidades do mundo com mais carros topo de gama por quilómetro quadrado?

Quem é que diz que esses carros pertecem sobretudo a gente ligada ao petróleo ou ao regime? Quem é que afirma que em Angola poucos têm muitos milhões e que muitos milhões têm pouco ou nada?

O que andam a fazer os jornalistas que, na sua maioria, temem dizer que em Angola não há democracia? Que temem afirmar que o poder está nas mãos de José Eduardo dos Santos, um presidente não eleito que ocupa o ligar há 31 anos?

Onde andam os jornalistas que se esquecem de dizer que o MPLA, no poder desde 1975, aprova uma Constituição que não prevê eleições directas para o presidente da República?

2 comentários:

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Gil Gonçalves disse...

Senhor:
Porque escolheste apenas Angola para lançares as tuas pragas
esquecendo, protegendo outros lugares onde os ardilosos se escondem
nesta terra tão vasta
Porque não provocas a doença do sono nos sedentos do poder fácil
nos idiotas e similares
Porque não os hibernas, porque não os pões a dormir, eternamente, congeladamente
Que, prometemos-te que os sensores electrónicos que os vigiam
sofrerão rigorosa manutenção e vigília
Estamos tão cansados de tanto o nosso soberano nos esbofetear
que já não temos mais faces para dar
Já estamos no receio do viver desfigurados. Que faremos Senhor?!
Não sabes?! Não te lembras?!
Cá estamos no cume do cinismo, de tanto fingir
que em Angola existe democracia
Não existimos, fingimos