sexta-feira, Fevereiro 18, 2011

De Cabinda ao Cunene, das FALA às FAA, passando pelo assassinato de Jonas Savimbi

O Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA), general Geraldo Sachipengo Nunda, afirmou na colónia de Cabinda que a preservação da Paz deve constituir a principal prioridade das Forças Armadas, em particular o ramo do Exército.

Recorde-se que Geraldo Sachipengo Nunda foi um dos militares que comandaram a caça, e posterior morte em combate, a Jonas Savimbi. Nunda foi, aliás, um dos generais das FALA (Forças Armadas de Libertação de Angola) a quem Savimbi ensinou tudo e que, por um prato de lagostas, o trairam.

Geraldo Nunda, que falava no acto que marcou o encerramento da 10ª Reunião de balanço Anual do Exército, sublinhou que com a promulgação e entrada em vigor da Constituição da República de Angola, em Fevereiro do ano passado, "o país entrou numa nova etapa histórica do seu desenvolvimento".

É admirável a forma como os militares angolanos estão sempre a falar da necessidade da preservação da paz (já cimentada há nove anos), da Constituição e do culto a José Eduardo dos Santos. Nunca pensei ver Geraldo Sachipengo Nunda a embarcar numa fantochada deste tipo em que, creio, nem ele próprio acredita.

"A reconstrução nacional tem permitido a normalização da vida em todo o território nacional", prosseguiu Geraldo Sachipengo Nunda, para mais adiante afirmar que existem sinais visíveis de um país que renasce após longos anos de guerra.

Que a guerra em Angola, como qualquer outra, deu cabo do país é uma verdade incontestável. Também é verdade que o país está a crescer, embora esse crescimento só esteja a ser feito para um dos lados (para aquele que está com o regime).

Mas será que Geraldo Sachipengo Nunda se esqueceu da Angola profunda, daquela onde o povo, o seu povo, é gerado com fome, nasce com fome e morre pouco depois com fome?

Será que Geraldo Sachipengo Nunda se esqueceu que o seu presidente (Eduardo dos Santos), a sua Constituição, o seu regime, considera – não só em Cabinda – um crime contra o Estado ter opiniões diferentes das oficiais?

Geraldo Sachipengo Nunda indicou ainda que os problemas provocados pelas calamidades naturais e a existência de grandes endemias, como a cólera, o HIV-SIDA e a tuberculose multiresistente, entre outras, "exigem o apoio dos órgãos competentes e nalguns casos da intervenção directa das Forcas Armadas".

Não será altura de Geraldo Sachipengo Nunda também se interrogar das razões que levam a que Angola uns poucos tenham muitos milhões, e muitos milhões não tenham nada?

No tocante a imigração ilegal e o terrorismo, bem como os crimes transfronteiriços, o oficial general das Forças Armadas Angolanas, disse que são aspectos que constituem alguns dos grandes desafios que devem merecer a atenção dos chefes militares à todos os níveis.

No entanto, o Chefe do EMG das FAA, exortou os comandantes das regiões militares no sentido de estreitarem cada vez mais a cooperação com os governos locais nas áreas sociais e de reconstrução nacional, constituindo-se numa área importante da actividade das unidades do ramo.

Não deixa de ser curioso, pelo menos para mim, ver Geraldo Sachipengo Nunda a dizer que são prioridades das FAA, preparação operativa, combativa e de educação patriótica, transmitindo a vontade e a determinação do Exército de vencer os obstáculos e constragimentos para que os efectivos disponham de melhores condições e o processo da sua gradual renovação.

Segundo Geraldo Sachipengo Nunda, em declarações ao Semanário Angolense a propósito da morte de Jonas Savimbo (faz dia 22 nove anos), outros dois antigos coronéis das FALA, Kivo e Calado, também comprados pelo MPLA a troco da traição não só a Savimbi como a uma grande parte do povo angolano, estiveram na última linha de combate em perseguição de Savimbi, e viram-no a sucumbir aos disparos.

Uma hora depois do líder rebelde ter sido morto, já o general Geraldo Sachipengo Nunda (certamente com mais uma estrela nos ombros), que estava em permanência no posto de comando dessa operação em Luena, chegava ao local na companhia de outros altos responsáveis militares governamentais, entre os quais os generais Hélder Vieira Dias "Kopelipa" e Hanga, bem como o sub-comissário Panda.

Não se sabe ao certo, mas é curial pensar-se que Geraldo Sachipengo Nunda tenha manifestado a sua satisfação pela morte de Savimbi, não fosse o MPLA arrepender-se das mordomias que lhe dera.

Seja como for, Geraldo Sachipengo Nunda está muito bem onde está e terá sempre consigo os louros de ter traído Jonas Savimbi, a UNITA e o povo que ela representava. E cesteiro que faz um cesto...

1 comentário:

Anónimo disse...

e verdade q o nunda traiu o savimbi pois qtera locru