Se Abílio Kamalata Numa optar por fazer este tipo de protesto sempre que o regime do MPLA, dono de Angola, cometer estes “democráticos” actos, vai passar o ano sem comer, tal é a sanha do regime contra todos aqueles que pensam de maneira diferente.
Como alguém disse, quem estiver sempre a falar do passado deve perder um olho. Mas também é verdade que esse alguém acrescentou que, quem esquecer o passado, deve perder os dois.
Já lá vão quase nove anos. Foi a 24 de Fevereiro de 2002 que alguém disse: «Sekulu wafa, kalye wendi k'ondalatu! v'ukanoli o café k'imbo lyamale!». Ou seja, morreu o mais velho, agora ireis apanhar café em terras do norte como contratados.
Tirando os conhecidos exemplos da elite partidária, os simpatizantes da UNITA, bem como a maioria do Povo angolano, têm estado deste então a apanhar café, ou algo que o valha.
No rescaldo da guerra imediatamente a seguir à Independência, entre 1976 a 1978, houve uma brutal escassez de alimentos e a paralisação dos campos de algodão e café do norte de Angola.
Para fazer face a esse desafio, o governo de Angola reeditou a guerra do Kwata-Kwata, obrigando pela força das armas os contratados ovimbundos e ou bailundos (que outros poderiam ser?) a ir para as roças, sobretudo do norte.
Com a independência, os camponeses do planalto e sul de Angola sonharam com o fim do seu recrutamento forçado para aquelas roças. A reedição da estratégia colonial por um governo independente foi um golpe duríssimo na sua ilusória liberdade.
O líder da UNITA, Jonas Savimbi, agastado com a fraqueza e quase exaustão das forças que conseguiram sobreviver à retirada das cidades, em direcção às matas do leste (Jamba), onde reorganizou a luta de resistência, aproveitou esse facto, bem como a presença de estrangeiros, para mobilizar os angolanos.
«Ise okufa, etombo livala» (Prefiro antes a morte, do que a escravatura ), dizia Savimbi aos seus homens, militares ou não.
E agora? Será que os seus discípulos preferem a escravatura com alguma (embora pouca) coisa na barriga, ou a liberdade com ela vazia? Será que se lembram dos que só foram livres enquanto andaram com uma arma na mão?
Num cenário em que os poucos que têm milhões continuam a ter cada vez mais milhões e em que, no mesmo país, muitos milhões não têm sequer o que comer, que futuro terá Angola?
Mal por mal, antes a morte do que a escravatura. E se antes foi o tempo dos contratados e escravos ovimbundus ou bailundos irem para as roças do Norte, agora é o enxovalho de transportar pedras à cabeça para ter “peixe podre, fuba podre… e porrada se refilares”
Foi mesmo isso. «Sekulu wafa, kalye wendi k'ondalatu! v'ukanoli o café k'imbo lyamale!». Morreu o mais velho, agora ireis apanhar café em terras do norte como contratados, ou ser escravo na terra que ajudaram a, supostamente, libertar.
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