terça-feira, fevereiro 01, 2011

Simplex na era da máquina de escrever

A propósito da bagunçada que foi a impossibilidade de milhares de portugueses votarem nas últimas eleições, tudo por causa de um tal cartão do cidadão que deveria ter, mas não tinha, o número de eleitor, recordo ipsis verbis o que aqui escrevi em 29 de Setembro de 2008:

Hoje o meu filho foi recensear-se. Um processo simples. Bilhete de Identidade (do qual uma fotocópia ficou na Junta de Freguesia) e um impresso. Tudo rápido e, como diria o senhor engenheiro, simplex.

Além disso, para meu espanto, sem gastar um euro. Não sei como é que o Estado socialista do engenheiro José Sócrates consegue ser tão benemérito. Mas, julgo que não foi por engano, foi tudo simples, eficiente e barato (de borla, digo).

Enquanto esperava, dou comigo deleitado com um som que, apesar de antigo, me era familiar. Vinha do interior da Secretaria da Junta de Freguesia. Fiquei espantado com o saudosismo que, pouco compatível com a era moderna, me abalroou o espírito durante alguns segundos.

Localizei então a origem do barulho. A funcionária preencheu o Cartão de eleitor à máquina de escrever. Nem mais. Apesar de por lá haver alguns computadores, não da geração “Magalhães” mas certamente modernos, a velha máquina, se calhar familiar próxima da Olivetti com que, há mais de 35 anos, me iniciei nestas lides, lá estava a dar cartas.

Não está mal. Na era em que as ocidentais praias lusitanas a norte de Marrocos já exportam milhares e milhares de “Magalhães” para a Venezuela e para a Namíbia (entre muitos outros mercados), numa Junta de Freguesia do distrito do Porto ainda a máquina de escrever soma pontos.

... e vivam as novas tecnologias e os simplexes do senhor José Sócrates.

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