
Não há que duvidar das autoridades coloniais angolanas que, sobretudo pela aprendizagem que lhe foi dada também pelos portugueses, consideram Cabinda como província. Ou seja, o mesmo que o regime de Salazar chamava a Angola.
Curiosamente, as autoridades sanitárias coloniais estão a esquecer-se de vacinar uma das espécies que mais raiva revela quando se trata de atacar os cabindas: os políticos militares e os militares políticos que Angola tem ao seu serviço em Cabinda.
Aliás, de Cabinda chegam notícias de que o medo está em todas as esquinas, em todas as sombras, em todos os olhares, em todas as palavras, mesmo nas que se não dizem.
O regime colonial instalou em Cabinda uma tal enxurrada de raiva que, perante a indiferença endémica da comunidade internacional, não há vacinas que cheguem nem que sejam eficazes.
Mais de que uma espécie de hidrofobia, as autoridades coloniais angolanas revelam um atávico ódio a todos os cabindas, vendo até naqueles cuja única política é a luta pela sobrevivência viscerais inimigos que, à falta de melhor antídoto, devem ser pura e simplesmente abatidos.
Diversos governos europeus continuam a ser alertados para a situação de constante violação dos direitos humanos naquele colónia angolana mas, tanto quanto é público, limitam-se a acreditar piamente na versão oficial do regime colonialista angolano.
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Revelações obtidas pelo FOLHA 8 em Luanda dão conta de que a Sistec, uma empresa angolana essencialmente ligada aos ramos da informática e das telecomunicações, estará envolvida naquilo que poderá ser uma das maiores fraudes financeiras de fórum empresarial conhecidas em Angola nos últimos 22 anos.
Os factos a isso subjacentes, revelados por uma fonte identificada que pediu o anonimato, apontam para uma sistemática fuga ao fisco, obtenção fraudulenta de contratos de fornecimentos e sobrefacturação. A confirmarem-se tais factos, também, podem ser vistos como uma conspiração contra o povo angolano, se se tiver em conta que a tributação fiscal é o meio mais eficaz de solidariedade social, instituído pelo regime deste País, onde 61 por cento da população vive em estado de virtual indigência. A fonte do FOLHA 8 afirma que as fraudes são a real fonte de receitas da SISTEC que, por exemplo, sobrefactura frequentemente, na ordem dos 100 por cento, os fornecimentos de material e equipamentos às Forças Armadas Angolanas, FAA.
Em 1994, quando a SISTEC facturou três milhões de dólares em negócios com as FAA, um fornecimento de rádios PRC comprados à TransWorld Communications (TWC), pelo valor de dois milhões de dólares, foi cobrado pelo dobro do seu valor, indicou a fonte. Disse que é esta variante da negociata que permite “o aparecimento de grandes ricos dentro da empresa” e que é por este meio que indivíduos ligados a instituições do Estado tornam-se accionistas da empresa. Atribuindo contratos fraudulentos à SISTEC e permitindo que os valores dos fornecimentos sejam sobrefacturados, indivíduos ligados ao Estado passam a ter participação nos lucros da empresa. Estes, os lucros, são chorudos, segundo a fonte que revelou que no fim de 1994 um grupo de seis titulares de sete acções obteve rendimentos individuais der 500 mil dólares americanos.
O informador do FOLHA 8 afirma que, em 1993, quando a empresa atravessava uma crise financeira e não tinha dinheiro para pagar os direitos alfandegários, Rui Santos reduziu pela metade o valor de algumas facturas de importação. Dessa forma declararia às Alfândegas um valor inferior ao que deveria pagar em taxas e impostos.
A fonte aponta exactamente um fornecimento proveniente da Técnica (Far Esat) Ltd, uma firma de Hong-Kong que é propriedade de um português conhecido por Fazenda.
O fornecedor enviou dois tipos de facturas, sendo uma “invoice” (in) com o verdadeiro preço do fornecimento, e outra “Customes” (C.U.) com um preço 40 por cento inferior e alegadamente fictício.
Ao declarar à Alfandega, a Sistec apresenta a factura (C.U.), da qual supostamente deduz ainda 50 por cento, e, ao fixar o preço fá-lo com base no valor da factura “in” multiplicado por 1,7, que é o valor dos impostos, taxas e do frete.
Dessa maneira, estimou a fonte, são ludibriadas as Alfandegas, Seguradora, Transportadoras e os Consumidores.
In FOLHA 8, 26 de Setembro de 1997
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