quarta-feira, agosto 12, 2009

Angola é o MPLA e o MPLA é Angola

Eu sei que em Angola os militares, tal como o resto da sociedade, só têm liberdade para dizer o que o soba Eduardo dos Santos deixa. Mesmo assim, quando não se pode dizer a verdade, o bom sendo aconselha a que se esteja calado.

Hoje, o inspector-geral das Forças Armadas Angolanas, general Rafael Sapilinha “Sambalanga”, considerou na comuna do Icolo e Bengo, Angola como uma “trincheira firme na defesa do continente africano”, pelo percurso árduo nas lutas de libertação nacional, bem como o contributo para a paz na região.

Poderia o general “Sambalanga” ficar-se por aqui e tudo estaria bem. Angola é de facto uma “trincheira firme na defesa do continente africano”.

Rafael Sapilinha que falava durante a visita dos Inspectores de Defesa da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) ao Centro Cultural “António Agostinho Neto”, não se conteve, contudo, em querer agradar ao chefe e vai daí enalteceu o espírito de coragem do fundador da nação angolana, nas lutas de libertação nacional que culminou com a independência do país.

Para o inspector-geral, António Agostinho Neto teve a capacidade de prever a liberdade e autonomia do povo angolano nos poemas que escrevia. “António Agostinho Neto não é tido apenas como fundador da nação e do MPLA, mas também como um poeta perspicaz”, sublinhou.


Irra! Apre! Chiça! Porque carga de água Agostinho Neto é o único fundador da nação angolana? E então Holden Roberto? E então Jonas Savimbi?

Ou será que, mais uma vez, Angola é o MPLA e o MPLA é Angola?

2 comentários:

Fada do bosque disse...

Quanto à liberdade de expressão, não vejo muita diferença entre Angola e Portugal... Têm até, muitas outras coisas em comum... o petróleo é que não, graças a Deus!
Se isto é assim sem riqueza, imagine o que seria o País, com petróleo! CREDO!!

Francisco Cosata disse...

Acho incrivel comparar a contribuição da Agostinho Neto com a d Holden Roberto e principalmente com a de Savimbi.
Agostinho Neto, com todos os seus defeitos foi, na altura, o único com uma visão a longo prazo para Angola. Claro que num caminho longo, cometem-se erros, alguns grosseiros e dramáticos, mas hoje temos todos capacidade de perceber que as alternaivas seriam infinitamente piores.......