quarta-feira, agosto 19, 2009

Multiplicação de asneiras... a bem da Nação

O português Diário Digital escreveu uma asneira monumental (confundiu a Guiné-Bissau com a Guiné-Conacri) e por esse mundo a informação foi divulgada “ipsis vervis”. Nem mesmo órgãos que, supostamente, deveriam saber alguma coisa do assunto filtraram a notícia.

Para muitos (supostos) jornalistas (e não só) de língua portuguesa tanto faz ser Guiné-Bissau como Guiné-Conacri. É tudo em África, são todos pretos. Cá para mim, desculpem lá, para muita gente da Europa, EUA e restantes potências, ser preto não é sinónimo de ser gente. E por isso vale tudo.

Do ponto de vista da Lusofonia este até é um assunto que não interessa nem à pilinha do menino Jesus. Isto porque, no Ocidente se crê que o dito menino é branco e os que morrem aos milhares, sejam em Darfur ou em qualquer outro sítio, são… pretos.

A (des)propósito do que aqui escrevo, sobretudo quando falo de África em geral e dos Países Africanos de Língua Portuguesa em particular, verifico (voltou a ser agora o caso) que aumentam os comentários anónimos (e por isso não publicáveis) gerados nas latrinas do nanismo dos autores. Autores, não custa acreditar, que até têm Carteira Profissional de Jornalista.

Na falta de capacidade intelectual para mais, toda a espécie de ratos de esgoto opina e comenta sem dar a cara, mostrando como é fácil atirar a pedra e esconder a pata.

“Se queres defender os pretos porque razão não vais para África?”, voltava a dizer um comentário (obviamente anónimo).

Se é grave de uma forma geral esta cobardia, mais o é quando muitos destes actores de baixa (baixa, neste caso, é sinónimo de sarjeta) categoria integram a classe profissional dos Jornalistas, a tal que se diz contrária às fontes anónimas mas que, afinal, é ela própria um manancial de anónimos.

Compreendo que, refugiando-se no anonimato ou na intelectual forma de anonimato que dá pelo nome de pseudónimo, estejam mais à vontade para mostrar que para eles andar de pé é a mais sublime forma de ser alguém. Reconheço que é uma evolução que ajuda a disfarçar o facto de, mentalmente, ainda estarem nas copas das árvores. No entanto, ainda faltam algumas gerações para que atinjam o nível dos Homens.

Habituados a viver na selva da ignorância transformada em autopanegírico, entendem que a razão da força (conseguida à custa de alguma habilidade histriónica para mimarem o que o chefe quer) é a única lei. Espero, contudo, que algum amestrador lhes ensine, mesmo que mostrando bananas ou ginguba, que nos países civilizados (Portugal parece estar cada vez mais longe dessa designação) o que conta é a força da razão, assumida de forma clara.

Enquanto isso não acontece, continuarei a armar-me em idiota diante dos idiotas que se armam em inteligentes…

3 comentários:

Afonso Loureiro disse...

Há muita gente que gosta de exteriorizar todos os seus complexos e frustrações insultando ao abrigo do anonimato.

Falta-lhes aquilo que acusam os outros de não ter...

Fada do bosque disse...

Grande artigo Orlando! Grande artigo.
É por não estarem no activo, jornalistas decentes, que o Mundo é feito de mentira e uma verdadeira, e vai-me desculpar, merda!
Como lhe disse, os PATRÕES gostam dos ignorantes e idiotas, dá-lhes jeito!

Jaime disse...

O anonimato sempre foi a arma preferencial dos cobardes. Sempre assim foi e continuará a ser. Sobretudo e muito principalmente quando se insulta e se quer denegrir, sem que haja a coragem de se dar a cara. Recordo-me de há muitos anos, após ter defendido, como jornalista, numa entrevista em directo, na RTP, o povo palestiniano e a sua luta pela Pátria, ter sido insultado, sob a capa do anonimato, de terrorista. Foram várias as mensagens recebidas, em diversas ocasiões,por variadíssimas formas, inclusive papeis escritos e colocados no parabrisas do meu carro ... Cito apenas este "pequeno" exemplo. Por isso, caro Orlando, o seu artigo lembra factos antigos e situações alimentadas por castrados, e por isso mesmo sem qualquer espécie de carácter e honradez. Aliás, repare, basta o facto dos telemóveis, ou dos telefones fixos, estarem preparados para se fazerem chamadas anónimas sob a pomposa denominação de privadas, para concluirmos que até aí se abriu caminho a essa podridão instalada com força de lei na nossa sociedade. Mas não desista, Orlando. Trate desses rapazes como deve ser: utilize papel higiénico e puxe o autoclismo. Mande-os p`ra fossa. Melhor dizendo, e desculpe a expressão, mande-os à merda.

Jaime de Saint Maurice