terça-feira, setembro 22, 2009

Patacoadas de Ângelo Correia para soba ver

Ângelo Correia foi a Angola dizer o óbvio (que apesar de o ser não é verdadeiro) e, com isso, dar prazer aos que gostam de quem está sempre de acordo.

Em Luanda, capital do reino do MPLA, Ângelo Correia considerou hoje “legítimos e legais” os investimentos feitos por empresas angolanas em Portugal.

Em declarações à imprensa no âmbito das palestras sobre o ambiente que realiza na capital angolana, o ex-ministro da Administração Interna do PSD, afirmou “não existir nada no ordenamento jurídico português” que impeça empresários estrangeiros investirem no mercado luso, procurando gerar capitais e conhecimentos.

“Da mesma forma que os portugueses investem em Angola, é legitimo que os angolanos o façam também no nosso país. Os benefícios são mútuos e em alguns casos Portugal sai mesmo a ganhar porque recebe investimentos em áreas onde não tem produção”, sublinhou, apontando o sector petrolífero como exemplo.

Considerando “reaccionárias” as pessoas que se manifestam contrárias ao investimento angolano em Portugal, Ângelo Correia referiu-se ao investimento da petrolífera angolana Sonangol na Galp, como sendo uma iniciativa que ajuda a reforçar os laços de cooperação entre os dois estados.

“Nada está a acontecer à margem da lei, portanto, é legítimo que os angolanos escolham determinadas áreas para investir. Quem se manifesta contra é porque ainda vive no passado e deve, por isso, actualizar-se. Estamos num mundo globalizados e num mercado aberto para todos”, disse.

Com tantos floreados, até parece que tudo é transparente nos investimentos feitos em Portugal. Parece mas não é. Ângelo Correia sabe isso muito bem. Mas, é claro, há coisas que se sabem mas não se dizem, sobretudo porque isso poderia ser visto como estar a cuspir no prato onde se come.

Ao contrário do que diz Ângelo Correia, ninguém põe em causa os investimentos angolanos em Portugal. O problema está em que não são investimentos angolanos, são investimentos de uma família e de meia dúzia de amigos que quase representa 100 por centro do Produto Interno Bruto de Angola.

Fossem, de facto, empresas angolanas e tudo estaria bem como pretende Ângelo Correia dizer que agora está. Mas não são. São de um clã.

Aliás, já que se fala de Portugal, quantas empresas tem o homólogo português de José Eduardo dos Santos? Que percentagem do PIB português representa, por analogia com o presidente angolano, Cavaco Silva?

Ao contrário de Ângelo Correia, os reaccionários não estão contra as empresas angolanas. Estão isso sim (e até ficava bem Ângelo Correia estar também desse lado) contra o facto de haver meia dúzia de pessoas, todas ligadas ao clã Eduardo dos Santos, que são donas de Angola.

E para mim, reaccionário assumido, Angola só tem um dono: todos os angolanos.

3 comentários:

Fada do bosque disse...

Nem mais!

André Miguel disse...

Os meus parabéns.
Subscrevo e assino por baixo.
Dois anos passados em Angola foram mais que suficientes para abrir os olhos e esquecer o tom cor de rosa com que a imprensa lusa pinta as relações comerciais com Luanda.
Nesta análise ás banalidades de Angelo Correia V. Exa. só esqueceu uma coisa, uma grande semelhança entre os dois países: lá como cá o Estado interfere demasiado na economia. Só que lá todos sabemos quem é o Estado. Cá nem isso...

Fada do bosque disse...

E vai o André Miguel e como sempre, também acerta em cheio! Bingo!