1. As pegadas da Mãe-História: Ouvindo a Nota, dá-nos a impressão que o nacionalismo cabindês, com as suas lídimas aspirações à autodeterminação, surge nos fins dos anos noventa. Este irrompe, puro e simplesmente, para subverter a ordem estabelecida pelo governo legítimo de Angola. Daí serem todos terroristas e subversivos, justificando ipso facto prisões, raptos e assassinatos. Queríamos, porém, trazer à memória o seguinte: A FLEC/FAC foi fundada em 3-5 de Agosto de 1963, fruto de um longo processo político nos anos quarenta. Testemunhas, ainda vivas, atestam as idas, separadamente, de cabindas e angolanos à ONU.
2. Verbos sem Verbo: Termos, como Paz, Reconciliação e Desenvolvimento, parecem ter, quando se fala de Cabinda, uma outra conotação e, simplesmente, esvaziados da força quer humana quer histórica que transportam consigo! A PAZ para os Cabindas é ter as povoações cercadas de militares, impedidos de livremente irem às lavras e à caça; conviverem, sem direito à indignação, com a discriminação e permanentemente sob a mira de uma polícia com carta- branca para tudo, de um Sinfo implacável e de uma Polícia de Investigação Criminal que primeiro prende e, posteriormente, investiga. PAZ para Cabinda é, até, impor-lhe um deus, uma igreja e um pastor à força da baioneta. RECONCILIAÇÃO para o Cabinda é desaparecer como Povo e ajoelhar-se diante um poder sempre predisposto a humilhar e a descaracterizá-lo! DESENVOLVIMENTO para Cabinda é ter a mão estendida aos dois Congos para o frango, o feijão, o cimento e para a dor de dente!
3. Dialogar ou monologar!: A Nota tem, contudo, duas revelações surpreendentes. Primeira, que em Cabinda vive-se uma guerra, desmentindo os Sanjares e os Bento Bembes. Segunda, o elemento propiciador de todos os fracassos foi sempre confundir o diálogo (dià (através)+ lógos (palavra, discurso) isto é, um movimento da palavra com o monólogo (mónos (um) +lógos (palavra, discurso) isto é, um único a falar, alijando completamente o OUTRO. Tem sido sempre esta permanente sobranceria do Governo angolano, quando dialoga, monologando com o Povo de Cabinda, ao impor à FLEC as suas soluções dilutas, integraciofobíacas e bembíacas, amordaçando a Sociedade Civil, ao reduzir o seu espaço e calar a sua voz. Numa palavra; o cabinda não tem direito à cidadania!
4. O inegociável: As gerações sucedem-se, mas mantém-se indelével o sentimento profundo de um Povo, que uma acção-política tendente simplesmente a cercear tudo o que cheira a cabinda: História (datas e momentos marcantes) e Cultura (nomes, língua e espaço vital) não logrou aniquilar. A política da palmatória não desenvolveu, até agora, no cabinda a Síndrome de Estocolmo, pelo contrário, enrijeceu a sua determinação em salvaguardar a sua especificidade. Nenhuma solução será encontrada para Cabinda:
a) Se o Governo e o Mpla, porque nem todo o Povo angolano pensa assim, continuarem a sofrer da psicose da ponte sobre-o rio Zaire. Esta unir-se-á com a RDC e não com Cabinda.
b) Se o cabinda não for poder em Cabinda.
5. In memoriam rerum: A previsível independência do Sul-do Sudão, a queda de muitos Mubaraks e as grandes mudanças constitucionais levadas a cabo pelo próprio rei de Marrocos, Muhamed VI, deviam levar as elites do poder angolano a reflectirem seriamente sobre o futuro do território de Cabinda. É um contra-senso que alguém que tenha lutado contra o colonialismo teima, agora, que um outro povo não viva a sua liberdade plena ( mestre do seu destino colectivamente consentido e das suas riquezas) e que todos os dias lhe recordam que não é livre. A FLEC e todos os seus líderes estiveram sempre abertos ao diálogo e a Sociedade Civil um facilitador, todavia, do lado do Governo meramente um fazer-de-contas com um monólogo insistente e ensurdecedor.
Chiôa, 11 de Março de 2011
Pela Sociedade Civil de Cabinda
Dr. José Marcos Mavungo»
5. In memoriam rerum: A previsível independência do Sul-do Sudão, a queda de muitos Mubaraks e as grandes mudanças constitucionais levadas a cabo pelo próprio rei de Marrocos, Muhamed VI, deviam levar as elites do poder angolano a reflectirem seriamente sobre o futuro do território de Cabinda. É um contra-senso que alguém que tenha lutado contra o colonialismo teima, agora, que um outro povo não viva a sua liberdade plena ( mestre do seu destino colectivamente consentido e das suas riquezas) e que todos os dias lhe recordam que não é livre. A FLEC e todos os seus líderes estiveram sempre abertos ao diálogo e a Sociedade Civil um facilitador, todavia, do lado do Governo meramente um fazer-de-contas com um monólogo insistente e ensurdecedor.
Chiôa, 11 de Março de 2011
Pela Sociedade Civil de Cabinda
Dr. José Marcos Mavungo»
Sem comentários:
Enviar um comentário