sexta-feira, junho 04, 2010

Alto Hama precisa de jornalistas...

Estão abertas, aqui no Alto Hama, as candidaturas espontâneas para todos aqueles que sendo, ou querendo ser, jornalistas pensam que vale a pena embarcar no suicídio, colectivo ou não.

Sendo este blogue propriedade privada, as regras são as comuns a qualquer empresa privada deste país (Portugal). Ou seja, democraticamente e num Estado de Direito, aqui quem faz as leis sou eu.

De qualquer modo, e logo à partida, há condições que excluem qualquer candidatura a jornalistas. Assim, se sabe ler e escrever, se tem e usa coluna vertebral, se pensa com a sua cabeça, o melhor é não perder tempo porque não tem futuro nesta profissão.

Nem nesta nem em qualquer outra.

Se, pelo contrário, sabe assinar apenas o que lhe mandam, tem coluna vertebral amovível e quase sempre a deixa em casa, se pensa sobretudo com a cabeça do chefe, então temos um lugar para si.

E tal como, com estas características, temos condições para que venha a ser um dos melhores jornalistas de língua portuguesa, também é verdade que não lhe faltarão lugares bem remunerados na Assembleia da República portuguesa, nos partidos, e quiçá no governo.

Se é daquela espécie profissional que acha que dizer a verdade é a melhor qualidade dos jornalistas, que pensa que ser jornalista é dar voz a quem a não tem, o melhor é ir pregar para outra freguesia ou deixar-se estar no desemprego.

Se, pelo contrário, para si a única verdade é a verdade do chefe, se para si o importante é ajudar os poucos que têm milhões a ter mais uns milhões, pouco importando os milhões que têm pouco ou nada, se não consegue assinar (porque não sabe assinar) a ficha de candidatura, mas consegue pôr o dedo, ou é ou será um grande jornalista.

E, como tal, será bem-vindo ao Alto Hama...


http://www.portugal-linha.pt/Jornalista-procura-trabalho/menu-id-98.html

1 comentário:

Jose Martins disse...

Meu caro Orlando,
Não sou jornalista, mas um amador por muitos anos, em Banguecoque. onde fui por cerca de 10 anos correspondente da Lusa e da Tribuna de Macau. Não vivi da profissão mas fi-la por gosto. Desde logo notei que só uns poucos vivem com dignidade dentro da profissão. Absolutamente rasca e perigosa dado que o jornalista ou está na mira do "patrão" ou de uma arma, se for para a zona dos tiros, como eu estive 8 dias na Birmânia e a viver na mata com a resistência Karen. Depois no Cambodja (1992) depois da retirada das tropas vietnamitas do territória. Tiros se ouviam durante o dia em Phnon Penh.Segue-se tão entusiasmado pela notícia que pensamos que os tiros são para os outros e nunca para nós. Relata-se o que se viu, manda-se a peça para a redacção e só nos pagam aquilo que lhes interessa e ficamos com umas miolas. Quando algum jovem me diz que quer ser jornalista, digo-lhe: tenha juizo que é uma profissão de um "gajo" seguir nas tesuras. Com a Internet nos dias de hoje a profissão ficou de "tanga". Os jornais pilham as peças,a outros, cozinham-se e está andar. Evidentemente que o jornalista a pouca liberdade que tinha há 20 anos, foi-lhe retirada, porque os jornais dependem do capitalismo e subjugado a ele. Há necessidade de comprar papel, angariar publicidade e se sair da linha traçada o jornal vai à falência e com ele os que nele trabalham.
Um abraço
José Martins