segunda-feira, junho 07, 2010

Angola, um exemplo nos direitos humanos

Perto de 70 activistas dos direitos humanos lusófonos participam desde hoje, na província angolana de Benguela, no IV Acampamento dos Defensores dos Direitos Humanos de alguns Países de Língua Oficial Portuguesa (Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Brasil).

Angola, um dos melhores exemplos (segundo o MPLA e os seus acólitos da Lusofonia: PS, PAIGC, FRELIMO) nesta matéria, poderá assim provar, in loco, que é um oásis no meio do deserto africano dos direitos humanos.

Certamente que o regime, ao abrigo da verdade e da tão proclamada transparência, vai reconhecer que 68% (68 em cada 100) dos angolanos são gerados com fome, nascem com fome e morrem pouco depois com fome.

É claro que esta verdade nada tem a ver com direitos humanos, até porque as vítimas não são propriamente seres humanos...

O regime angolano, que em breve até terá o seu presidente (há 31 anos no poder) a comandar a CPLP, vai reconhecer que 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos.

O regime, que para democratizar ainda mais a democracia interna acaba de mandar comprar três jornais, vai certamente reconhecer que Angola estava, em 2008, na posição 158 no “ranking” que analisa a corrupção em 180 países, e, em 2009, passou para a ... 162, mas prometerá qua inda este século vai melhorar algumas posições.

Dentro da filosofia da transparência, o regime vai reconhecer que a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens é o método utilizado pelo MPLA (no poder desde 1975) não para amordaçar os angolanos mas, isso sim, para os reeducar.

Igualmente irá reconhecer que 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros; que mais de 90% da riqueza nacional é privada e foi subtraída do erário público e estar concentrada em menos de 0,5% de uma população.

Também reconhecerá que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

É claro que nenhuma destas verdades tem a ver com direitos humanos, até porque as vítimas não são propriamente seres humanos...

1 comentário:

Raphaela Nazaré disse...

Gente aproveitando a matéria gostaria apenas de expressar minha satisfação em saber que o Globo Repórter desta semana é sobre São Tomé e Príncipe, que passará em rede Nacional aqui no Brasil, possibilitando aos brasileiros conhecer um pouco melhor este país que apesar de todas as suas dificuldades é tão lindo e apaixonante. Para mais informações: http://principesaotome.blogspot.com/