
As afirmações de Anastácio Sicato continuam actuais, sobretudo porque já existe uma espécie de calendário eleitoral embora feito, diga-se, à medida do MPLA de Eduardo dos Santos.
Mas, no que respeita à UNITA no exterior, nomeadamente em Portugal, urge perguntar o que está a ser feito para justificar, ou apressar, essa alternância de poder.
Mas, no que respeita à UNITA no exterior, nomeadamente em Portugal, urge perguntar o que está a ser feito para justificar, ou apressar, essa alternância de poder.
Não falo de ideias. Essas não faltam. Falo de coisas concretas, de projectos viáveis, de iniciativas com cabeça, tronco e membros. Provavelmente por manifesta ignorância da minha parte, não vejo que a UNITA, sobretudo mas não só em Portugal, esteja a dar o seu contributo para que os angolanos possam – se assim o entenderem – conhecer um outro Governo e um outro presidente da República.
Anastácio Sicato dizia na referida entrevista, dada ao Jornalista Jorge Eurico, que “tarde ou cedo, o MPLA e o Presidente José Eduardo dos Santos acabarão por ceder o poder a outros”. Mas será que a UNITA está apostada em fazer com que se antecipe a alternância?
Quando olho à minha volta fico com a sensação de que a UNITA está à espera que o poder em Angola caia de maduro, pouco fazendo para mostrar aos angolanos que quando o fruto não presta deve ser retirado mesmo verde.
Quando vejo que a UNITA, ao contrário do MPLA, desperdiça tantos e tantos valores que lhe são afectos e que estão espalhados por esse mundo fora, fico com a ideia de que a alternância, se acontecer, se deverá mais ou sobretudo à incapacidade do MPLA do que à acção da UNITA.
Não basta, como disse Sicato, afirmar “que a verdadeira soberania pertence ao povo e a mais ninguém”. É preciso que o povo saiba que tem esse poder e, mais importante, saiba quais são as alternativas.
Não chega, digo eu, dizer que “só a alternância consolida os regimes democráticos”. A alternância não se compra, conquista-se. E para a conquistar é preciso trabalhar muito. Muito mesmo.
Seja bem-vindo a Portugal, Presidente Isaías Samakuva.
Sem comentários:
Enviar um comentário