segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Diz-me quem é o director, dir-te-ei
em que prostíbulo luso és jornalista

"Sem imprensa livre nenhum combate pode ser ouvido". Quem o diz é a organização internacional não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF), fundada em 1985 pelo francês Robert Ménard. Exemplos onde existe imprensa livre são cada vez menos, como convém aos donos do poder.

Mas será, desculpem a dúvida, liberdade de imprensa ver a esmagadora maioria dos media a dizer que o rei vai elegantemente vestido quando, no país real, todo o povo diz que ele vai nu? Será liberdade de imprensa um director de jornal proibir um artigo de opinião?

A RSF luta permanente contra a censura e todas as leis que restrinjam a liberdade de imprensa, não lhe faltando casos para análise, situações para debate e exemplos que levem a pensar que se trata de uma guerra em que os jornalistas usam fisgas e os donos do poder, político e económico, mísseis quase sempre disparados pelos mercenários que têm nas direcções.

Mísseis que, aliás, têm a especial qualidade técnica de transformar jornalistas em produtores de conteúdos de linha branca que, ainda por cima, podem ser vendidos nos mesmos suportes (jornais, televisões e rádios), conferindo-lhes assim um rótulo de informação, de imprensa.

E se em muitos países da América Latina e de África a situação até é considerada normal, na Europa (continente que tem a mania de ser bom exemplo em tudo e para tudo) a coisa está também negra e os jornalistas estão a perder a guerra... mesmo quando tentam apenas escrever a sua opinião. E sendo eles derrotados, também a democracia e a liberdade vão ao fundo. Mas isso pouco interessa aos mercenários e a quem os contratou.

O presidente da Roménia, Traian Basescu, determinou que os jornais da televisão pública devem ter 50% de notícias porque, à antiga maneira comunista, ou à nova maneira socialista liberal, a informação quando feita à medidade e por medida é uma excelente e eficaz forma de manipulação.

Em Itália, de forma descarada, Berlusconi e os seus servos (alguns ditos jornalistas) controla os melhores horários em que na RAI 1 e RAI 2 passam as notícias de propaganda do Governo. Não são notícias, são anúncios publicitários. Mas como são supostamente feitos por jornalistas...

Em França, com outra substileza. o presidente Nicolas Sarkozy é quem manda em muitas redacções, usando para isso os favores dos seus apaniguados nos meios de comunicação social ou, é claro, os poderosos amigos que mandam nos grupos económicos proprietários desses meios.

E Portugal? Segundo a RSF, a liberdade de imprensa diminuiu, registando uma queda do 16º para o 30º lugar na lista dos países que mais respeitam o trabalho dos jornalistas.

Portugal ainda não está, hoje ficou mias próximo, ao nível do Brasil (71º), Moçambique (83º), Guiné-Bissau (92º), Angola (119º) ou Timor-Leste (74º).

E hoje ficou mais próximo porque essa coisa de contratar mercenários que, para além de terem coluna vertebral amovível e de gostarem de estar de pé perante os seus súbditos e de joelhos perante o poder, não sabem ler nem escrever para dirigir jornais só mostra que país é Portugal.

Por outras palavras, como diria o Mário Crespo, o poder quer que os jornalistas perguntem não o que o Estado/país/bordel pode fazer por eles, mas sim o que eles podem fazer pelo bordel/país/Estado.

E o que melhor podem fazer é aceitar que para serem um dia directores de um jornal tiveram de ser criados do poder. A bem da nação, está bem de ver.

2 comentários:

Fada do bosque disse...

Está, está Orlando.
GRANDE TEXTO! e não é que tenho orgulho, de ser sua conterrânea? :)

Bilderberg, Orlando, Bilderberg!... e no seu melhor, quase a atingir os objectivos! Nova Ordem Mundial consolidada até 2012! e a coisa vai de vento em pôpa!
Eu sou a céptica... é que, o que o Orlando escreveu... não existe, é só uma alucinação minha! - Teorias da conspiração - dizem e andam estes palermas a ver os acontecimentos desenrolar... e nada! Nós é que temos mau feitio, claro!
Os que dão as notícias verdadeiras andam "exilados" em blogues e a massa... os alucinados, acreditam que nós é que temos uma imaginação fértil!
-Tás maluca?! andas a ver muitos filmes!-
Vi o Matrix... por acaso... 3 vezes a trilogia e sei que não optei pelo comprimido azul!


E tivemos o Azar, de ter o Bilderberg da Informação europeia, o Balsemão, que junto a Sócrates, veja bem a dupla!... Canudo, que daqui para a frente vai piar fino!
Que seria dos finos se não fossem os lorpas. Agora vai a míssil, Orlando, pode crer.

Leumas disse...

Pois é, meu colega Orlando.

Aos poucos, o fascismo está a ser legitimado no mundo todo.

Pensar livremente está cada vez mais perigoso, assim como defender-se. Tudo por que? Não querem que as pessoas sejam livres, independentes, tenham iniciativa própria.

O jornalista tem todo direito de se sujeitar ao diretor que quiser. É um princípio da liberdade que prevê até o direito de se continuar escravo, se assim o indivíduo desejar VOLUNTARIAMENTE.

Mas IMPOR isso aos demais?

Onde estão nossos direitos básicos a trocas voluntárias? Quantas obrigações de ficar calados teremos mais???

Preocupa-me essa situação. Estou quase a pregar DESOBEDIÊNCIA CIVIL em meu país.

Prefiro o meu velho blog (que não me sustenta) a trabalhar em qualquer jornal brasileiro financiado com dinheiro público.


Abraços.