O presidente do Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder na África do Sul, Jacob Zuma, está em Luanda onde garantiu que manterá "relações especiais" com Angola.A garantia solene foi dada durante a visita que Zuma cumpre desde quinta-feira a Luanda, a primeira ao exterior desde que foi eleito, em Dezembro passado, presidente do ANC, e que teve o seu ponto mais alto com um encontro que manteve com o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, também presidente do MPLA, partido no poder em Angola desde... 1975.
Zuma defendeu a necessidade do reforço das relações de cooperação entre ANC e MPLA que "muito poderão ajudar os povos da região e não só".
A batalha do Cuito Cuanavale, que levou à assinatura dos acordos de Nova Iorque, que ditaram a retirada das tropas cubanas e sul-africanas do país em 1988 e em que estiveram em confronto as forças governamentais angolanas, com auxílio de efectivos militares cubanos, e tropas da UNITA, militarmente apoiadas pelo exército regular sul-africano, foi tida como a mais sangrenta de África após a segunda Guerra Mundial.
Numa das suas brilhantes tiradas, o presidente do Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder na África do Sul, Jacob Zuma, diz que o Cuito Cuanavale deve transformar-se em local de peregrinação.
Segundo Jacob Zuma, "Cuito Cuanavale é um dos locais mais importantes da África Austral e a derrota infringida às forças do Apartheid, nesta região, mudou o rumo político e a história de libertação da África Austral, culminando com a independência da Namíbia e a libertação da África do Sul".
Com esta forma de reescrever a história, Zuma dá não uma mão mas o corpo inteiro ao seu velho amigo Eduardo dos Santos. Esquece-se, contudo, que em matéria de potências regionais está a pedir ajuda ao leão para derrotar o gato bravo. Depois de comer o gato, o Leão vai comê-lo a ele.
Na capital angolana, o líder do ANC visitou ainda o Comité Provincial de Luanda do MPLA e o marco histórico de Kifangondo, sítio onde, em 11 de Novembro de 1975, forças coligadas da FNLA e do então exército zairense foram travadas pelas FAPLA e os seus aliados cubanos.
O actual governo de Angola, dominado de fio a pavio pelo MPLA, está apostado, perante a passividade da comunidade internacional, em comemorar supostas vitórias sobre os “inimigos” angolanos. Festeja o que diz ser uma vitória sobre a UNITA no Cuito Cuanavale e, já agora, sobre a FNLA em Kifangondo.
Esta coisa de festejar a morte de angolanos não me parece boa ideia. Mas como o MPLA tem o monopólio e a exclusividade das boas ideias, até se calhar ainda vai ser nomeado para o Nobel da Paz.
Como nota de rodapé registe-se que os problemas de Zuma com a justiça começaram em 1999, num processo que implicava o grupo de armamento francês Thales. Em 2005, Zuma foi demitido do cargo de vice-presidente da África do Sul depois de o seu conselheiro financeiro Schabir Shaik ter sido condenado a 15 anos de prisão no âmbito do processo Thales.
Presumíveis luvas de quatro milhões de rands (cerca de 400.000 euros) terão sido pedidas por Shaik à empresa francesa para subornar elementos no partido e no governo numa compra milionária de armamento.
Na altura, Zuma chegou a ser acusado de corrupção, mas, em Setembro de 2006, o processo foi abandonado por falta de provas.
Em 2006, o novo líder do ANC respondeu por alegada violação de uma familiar e chocou os activistas anti-sida quando confessou, por ter praticado sexo sem preservativo, que dissipou o perigo de contágio tomando um duche.
Ver também, entre outros: Quererá o MPLA o regresso à guerra? - Pelo menos está a fazer tudo para isso; Famintos arautos do MPLA confundem o grito da onça com o miar dos gatinhos.
Ver também, entre outros: Quererá o MPLA o regresso à guerra? - Pelo menos está a fazer tudo para isso; Famintos arautos do MPLA confundem o grito da onça com o miar dos gatinhos.

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